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Petrobras. Por que a gasolina não fica mais barata no Brasil

O preço do barril de petróleo mais barato contribui para cair o preço da gasolina. Não no Brasil. Mas por que? Culpa da dívida da Petrobras, conforme Philippe Hubert Gidon, professor na área de negociações internacionais da Universidade de Fortaleza (Unifor).

“Para o consumidor final, por enquanto, a variação do petróleo barato não vai repercutir na bomba de combustível, porque há a chamada conta-petróleo da Petrobras que tem que ser paga. Essa diferença vai para estancar a ferida que a Petrobras tem durante muito tempo”, explica.

O economista, consultor e professor universitário, Lauro Chaves ressalta que a estatal arcou muitos anos com esse prejuízo causado pelo preço artificial do produto ao consumidor. “Usar o preço do combustível no mercado interno como política de combate a inflação formou essa dívida, por que a Petrobras passou muitos anos tendo prejuízo com um preço do combustível abaixo do que deveria. Estima-se só que esse preço represado seja um prejuízo de US$ 50 bilhões”, ressalta.

O economista Célio Fernando reforça que, se não fosse a dívida da Petrobras, provavelmente haveria deflação em vez de inflação no Brasil, como está ocorrendo em boa parte do mundo.

Impactos no Brasil
Se a Petrobras já vinha executando desinvestimentos, como a Refinaria Premium II no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP) em janeiro de 2015, outras baixas vão acontecer. Mais recentemente, decidiu sair do setor elétrico e colocou à venda suas 21 usinas térmicas, gasodutos e terminais de regaseificação. Quer reforçar o caixa com US$ 57,7 bilhões (o equivalente a cerca de R$ 225 bilhões).



A rede de gasodutos se estende por mais de nove mil quilômetros, parte ligada aos terminais de regaseificação da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, e de Pecém, no Ceará. Ter acesso aos terminais possibilita o acesso ao gás importado e reduz a dependência dos futuros donos das usinas.

A tentativa é também de viabilizar investimentos do pré-sal, que, com a queda do barril de petróleo, torna-se impraticável, segundo Lauro Chaves. Ele ressalta que a exploração do barril de petróleo tem um custo de US$ 45 a US$ 55. “A capacidade de endividamento da Petrobras já esgotou. Vai fazer mais desinvestimento ou vai privatizar alguns braços”, afirma.

O especialista adverte que a Petrobras é essencial para a economia brasileira, mas critica a legislação brasileira que obriga a estatal a entrar na exploração de todos os poços do pré-sal. “A princípio, a obrigatoriedade é importante, para garantir a Petrobras num nicho maior do pré-sal. Mas não há pernas pra isso”.

A petrolífera vai investir US$ 32 a menos até 2019 na exploração do pré-sal, o que significa 24% da previsão inicial de US$ 130 bilhões. Um impacto negativo de R$ 80 bilhões na cadeira de óleo e gás, além da perda de assustador um milhão de empregos. O fator corrupção, com o Petrolão e a Lava-jato, afeta a credibilidade da empresa e aumenta o desinteresse de parceiros internacionais.

Um outro aspecto que afeta mais diretamente o consumidor. A indústria que depende do diesel para funcionar vai ficar menos competitiva. Isso contribui para um aumento da inflação. A alternativa para isso podem ser as energias renováveis. (Andreh Jonathas)

Refinaria
A descontinuidade da Refinaria Premium II pela Petrobras trouxe pessimismo. Mas uma refinaria no Ceará é viável e factível, conforme Lauro. “O Complexo do Pecém é muito competitivo. É rentável e atrativo para uma refinaria, para exportar combustível de alta qualidade, para abastecer o mercado regional. Com a crise, pode ser que demore a atração de investidores privados, mas, com certeza, deverá ter um polo petroquímico no Pecém”, crê. (Andreh Jonathas) OPOVO

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