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Depois das entrevistas de Alckmin e Marina, está claro: o candidato da Globo-Lava Jato é Bolsonaro: sem fazer alianças espúrias, né?

Publicada: 31/08/2018 - 7:56

Começa hoje o horário eleitoral no rádio e na televisão. O tucano Geraldo Alckmin terá 44% do tempo em cada um dos dois blocos de 12min30s e contará com 434 inserções de 30 segundos ao longo da programação até a eleição, uma média 14 por dia. Em segundo lugar, mas muito atrás, está o PT, com 2min23s e 189 inserções. Jair Bolsonaro (PSL) e Marina Silva (Rede), que ocupam o primeiro e o segundo lugares quando o Lula não parece na disputa, têm, respectivamente 8s e 21s por bloco. Ela terá 29 inserções ao longo de toda a campanha; ele, apenas 11. Veja quadro acima, com parte do infográfico publico pelo G1.

Por que existe tal disparidade? Além do PSDB, Alckmin conta com outros oito partidos em sua aliança: PRB, PP, PTB, PR, PPS, DEM, PSD e SDD. Lula conseguiu juntar o PCdoB e o PROS. Bolsonaro, do nanico PSL, aliou-se ao ainda mais mirrado PRTB, do sempre eloquente Levy Fidelix. E Marina Silva, do minúsculo Rede, se somou ao também pequenino PV. E é neste ponto que quero convidá-los a uma reflexão.

Quem assistiu à jornada de entrevistas do Jornal Nacional — Ciro Gomes, Jair Bolsonaro, Geraldo Alckmin e Marina Silva — ficou com a clara impressão de que o problema mais grave da política brasileira são as alianças partidárias. Num país com mais de três dezenas de legendas representadas no Congresso; que tem uma Constituição que foi pensada para um regime parlamentarista, mas que é presidencialista por acidente de percurso; que praticamente impôs ao governante o presidencialismo de coalizão, entendendo por este nome não só a composição das agremiações, mas também o compartilhamento do poder entre Executivo e Legislativo… Bem, meus caros, num país assim, somos obrigados a ouvir seguidas catilinárias contra aqueles que optam por alianças partidárias.

É uma insanidade.

Desde a redemocratização, dois presidentes tentaram governar sem o apoio do Congresso ou, se quiserem, vendo-o esvair-se sem conseguir conter a sangria: Fernando Collor e Dilma Rousseff. O resultado é de todos conhecido. Considerar que as alianças são um vício da velha política não é apenas estúpido porque afronta o bom senso. Trata-se também de uma temeridade porque está a pedir que o presidente se comporte como um caudilho, o que é caminho certo para a crise.

E foi essa, infelizmente, a abordagem feita no “Jornal Nacional” com os presidenciáveis que foram entrevistados. E de maneira muito dura, injustificadamente agressiva. Quem mais apanhou foi justamente o candidato que mais cuidou das providências prévias em favor da governabilidade: Geraldo Alckmin. Até Ciro Gomes (PDT), que conseguiu apenas o apoio do Avante e contará com míseros 38 segundos em cada bloco da propaganda e 51 inserções ao longo de toda a campanha, teve de responder por que buscou o apoio de partidos do chamado Centrão.

No que me parece uma escolha editorial de um equívoco brutal, e isto nada tem a ver com os entrevistadores, que cumpriam uma tarefa, Marina Silva, muito mais nanica na composição partidária do que os votos cativos que tem — conta apenas com o apoio do PV — se viu constrangida a explicar alianças regionais com outras legendas — suposto mal que marca também o PDT de Ciro.

Ora, dada essa configuração, o único candidato, então, que teria feito a escolha moralmente adequada seria mesmo o sr. Jair Bolsonaro. Segundo os critérios abraçados, escolhe, de saída, o caminho da retidão moral quem não consegue se coligar com ninguém, sempre lembrando que o PR namorou o capitão reformado até a undécima hora. E só não se chegou a um acordo por razões, digamos, familiares. Flávio Bolsonaro, candidato ao Senado pelo Rio, se negou a apoiar o PR fluminense.

Qual é a tese que está na raiz do brutal equívoco? Partidos que contam com pessoas investigadas pela Lava Jato — pouco importando se o que se tem é inquérito, denúncia, denúncia aceita ou condenação — estariam irremediavelmente comprometidos. Bem, a ser assim, pergunta-se: o que vem depois? Ora, quem não serve como companhia para ganhar eleição não servirá como parceiro para governar, certo? Em que universo esse vitorioso impoluto buscaria os varões e a varoas de Plutarco para compor a administração?

Com a devida vênia, a tese é burra. A política se torna um tribunal da Lava Jato em que todos são réus, inclusive os que não são.

O inconveniente adicional é que o discurso contra tudo o que está aí e de ódio à política vem acompanhado de outros ódios. Não havendo como lacrar contra Bolsonaro no quesito “alianças políticas”, já que ele não as tem, buscou-se encurralá-lo nas áreas dos costumes e dos direitos humanos, como se a defesa irracional de certos pressupostos se intimidasse diante de algum apelo racional. Não se intimida. Para demonstrar que nada tem contra a mulher, que não é misógino e que pensa na sua proteção, o preclaro defende que ela ande com uma arma na mão. E não adianta o interlocutor arregalar os olhos. Afinal, ele não está coligado com ninguém. É puro. Se é, segundo os critérios, inclusive, de quem o entrevista, pode falar o que bem entender. E fala!

A pauta de reformas para que o país saia do buraco é gigantesca. Imaginar que um presidente da República consiga se impor ao Congresso na base da cara feia, especialmente quando joga abertamente para dividir o país, não para uni-lo, é um delírio. A cada vez se demonizam políticos e partidos, sem matizes, o que se faz é clamar por esse demiurgo. É o momento em que, em nome do combate à corrupção, troca-se a democracia, com todas as suas dificuldades, pelo murro na mesa.

Quando foi que isso deu certo no país?

Não! Não deu certo nem na ditadura militar.

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