Pré-campanha de Lula tem disputa interna, e aliados travam embates do jurídico à comunicação
A cerca de um mês do começo oficial da corrida presidencial, a pré-campanha do presidente Lula (PT) vive disputas por espaço no núcleo de decisões de seu comitê eleitoral. A briga por poder vai da equipe de comunicação à definição do plano de governo para um eventual Lula 4, passando ainda pelo jurídico.
Os embates ocorrem em momento em que o presidente consolida sua vantagem em relação a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e tem uma recuperação na aprovação do governo. Segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta (15), o petista abriu vantagem de oito pontos sobre o senador.
A comunicação tem sido alvo de disputas constantes no núcleo do petista, a ponto de o ministro da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), Sidônio Palmeira, e o chefe de gabinete do presidente, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, terem travado um debate diante do presidente sobre os rumos da campanha. Segundo dois aliados próximos, Lula teve que dar um soco na mesa para interromper a discussão.
De acordo com esses relatos, Lula reclamava com Sidônio do tom festivo de uma peça publicitária produzida pela Secom, lembrando que já havia se manifestado contrário a esse estilo de propaganda. Enquanto Sidônio contra-argumentava, Marcola apoiou a opinião do presidente, desencadeando uma discussão entre os dois.
A peleja entre dois grupos palacianos cresceu com a transferência das contas pessoais do presidente para o PT. O partido tem Nicole Briones, mulher de Marcola, à frente da coordenação digital.
A mudança deixou os perfis de Lula a cargo do ex-secretário de produção e divulgação de conteúdo audiovisual, Ricardo Stuckert. E, por decisão do presidente, Sidônio permanecerá no governo.
Embora o ministro fique fora do marketing da campanha, o publicitário Raul Rabelo, seu ex-sócio, integrará a equipe, ao lado de Stuckert, Nicole e do secretário de comunicação do PT, Edén Valadares. O trabalho será coordenado pelo presidente do PT, Edinho Silva.
Sidônio tem minimizado o episódio com Marcola em conversas com pessoas próximas e disse que não houve briga. Aliados do marqueteiro também negam haver mal-estar entre ele e outros auxiliares de Lula, dizendo que o próprio presidente pediu que ele ficasse no governo.
Tanto Sidônio quanto Marcola foram procurados para comentar o caso, mas não responderam.
A elaboração do plano de governo também causou entrevero, especialmente depois de o coordenador do programa, Sérgio Gabrielli, questionar, publicamente, a centralidade da política de juros no combate à inflação.
Segundo relatos, o ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), reagiu às críticas à condução da política econômica, sob a justificativa de que a equipe econômica não tinha sido consultada sobre o texto.
Gabrielli argumentou, durante reunião da coordenação da campanha, que está ouvindo governo e sociedade para redação da proposta —ainda em fase de construção. Lula determinou que só se fale sobre o programa de governo após aval da equipe econômica e de Haddad.
Gabrielli e Haddad também não responderam a pedido de comentário a respeito das rusgas na pré-campanha.
Além de arbitrar sobre desavenças, o presidente tem manifestado preocupação com o desempenho da equipe jurídica, diante de divergências entre o presidente do PT e o coordenador do grupo Prerrogativas, Marco Aurélio Carvalho.

