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Quem sobra para 2018? ERICO FIRMO

O espaço para surgimento de novidades na política brasileira cresce na exata proporção em que faltam opções animadoras. O quadro está bastante propício ao aparecimento de alternativas fora das convencionais para a sucessão presidencial de 2018. Por motivo simples: personagens que têm dominado a política brasileira nas últimas décadas estão todas enroladas na Lava Jato.

 

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está sob investigação e corre risco de ser preso ou ficar inelegível. O PT não construiu opções das mais viáveis. O ex-governador baiano Jaques Wagner também é alvo da Lava Jato. O ex-ministro Aloizio Mercadante é acusado de tentar obstruir a investigação. E, convenhamos, nenhum deles é nome de impacto e grande densidade de votos Brasil afora.

 

Temer, aliás, tem dito que não buscará reeleição. Até porque as pesquisas indicam que está longe de ter popularidade para tal e, além do mais, está inelegível. O presidente em exercício foi condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) por ter feito doações acima do limite legal na campanha de 2014. Cabe recurso mas, por ora, o presidente da República em exercício é ficha suja.

 

No PSDB, o senador Aécio Neves é figurinha das mais repetidas nas diversas delações. Candidato derrotado em 2014, é muito improvável que consiga sair candidato em 2018. José Serra, candidato derrotado em 2002 e 2010, atual ministro das Relações Exteriores, teria sido citado em delações de OAS e Odebrecht, segundo a Folha de S.Paulo. Caso confirmadas, também o inviabilizam.

 

Marina Silva (Rede), terceira colocada na campanha de 2014 e que tem aparecido entre os favoritos nas últimas pesquisas, teria sido citada em delação do grupo OAS como beneficiária de recursos de caixa dois, segundo o jornal O Globo.

 

Assim sendo, quais as alternativas reais para a Presidência em 2018? Quem sobra que não esteja envolvido ainda na Lava Jato?

 

PERSPECTIVAS

No PT, talvez a grande esperança para o futuro do PT seja o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, que enfrenta enormes dificuldades na busca da reeleição – inclusive com seu potencial candidato a vice, Gabriel Chalita (PDT), apontado como beneficiário de doações fraudulentas que teriam sido negociadas pelo próprio presidente em exercício, Michel Temer (PMDB).

No PSDB, a opção mais viável que não está envolvida diretamente na Lava Jato é o governador paulista Geraldo Alckmin.

 

E há os nomes fora desse circuito. Um dos mais cotados é o de Ciro Gomes (PDT). O ex-governador cearense é hoje o principal nome da antiga base de Dilma Rousseff (PT). Na semana passada, aliás, Ciro fez uma das mais enfáticas declarações públicas em direção ao PT. Ele, que vive batendo no partido. Ciro disse: “Não é o PT o problema do Brasil. Aliás, a minha raiva é uma paixão magoada. Minha coisa é com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e não com o PT. Não atribuo culpa a ninguém e o PT, no fim, é o lado bom da história. O problema é que o PT falhou, fracassou, e expôs todo o pensamento progressista a um retrocesso”.

 

É provável que ele esteja apenas dizendo o que pensa. De todo modo, não deixa de ser um aceno de aproximação com o partido. Quem sabe, pensando num possível apoio em 2018. Claro, a ressalva que faz a Lula é um complicador.

 

Outro nome é o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-SP). Com discurso radical de direita, ele foi um dos políticos que mais capitalizou a atual crise. Sim, a nova conjuntura política abre espaços por todos os lados. Dos candidatos tidos como mais progressistas — e nesse caso as opções colocadas são Ciro e Cristovam — às mais conservadoras. Cenário tão instável pode propiciar qualquer coisa.

 

Aí mora o perigo. / OPOVO

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