Contra crise política, Temer vende uma recuperação hipotética da economia
Com o mandato sub judice no Tribunal Superior Eleitoral e com as delações da Odebrecht voando sobre sua cabeça, Michel Temer fará nas próximas semanas um esforço para mudar de assunto. Ele tentará injetar ânimo econômico dentro da crise política. Para começo de conversa, o governo trata como coisa do passado a recessão histórica que vive o país, com dois anos consecutivos de queda no PIB. Temer agora diz que está recolocando o país nos trilhos e entregará ao sucessor uma locomotiva em movimento.
Há um mentiroso entre delatores da Odebrecht
Num acordo de colaboração judicial, pode-se desconfiar das verdades dos delatores. Mas uma mentira deslavada, quando apanhada no pulo, revela-se sempre rigorosamente verdadeira. Por isso, um dedo-duro jamais deve dizer uma mentira que não possa provar. Do contrário, prêmios judiciais como a redução da pena podem ser anulados e convertidos em castigos mais severos.
A Justiça Eleitoral intimou três delatores da Odebrecht para uma acareação. Entre eles o príncipe-herdeiro Marcelo Odebrecht e o ex-executivo da construtora Claudio Melo Filho. Um dos dois mentiu ao ministro Herman Benjamin, do TSE, sobre o jantar ocorrido em 2014, no Palácio do Jaburu —aquele rumoroso repasto em que Michel Temer mordeu uma doação de R$ 10 milhões da Odebrecht para o PMDB.
Se o mentiroso for Marcelo Odebrecht, Michel Temer, que já frequenta a cena de modo constrangedor, ficará numa posição ainda mais vexatória. Por ora, sabe-se que Temer, hoje um presidente-tampão com o mandato sub judice, levou um empreiteiro à mesa de jantar do Jaburu, para fazer-lhe a corte e rogar por uma contribuição eleitoral. A partir desse ponto, começam as contradições.
De acordo com o depoimento de Marcelo Odebrecht, o jantar do Jaburu serviu apenas para um “shaking hands”. No idioma de Camões: um “aperto de mãos”, para selar um acordo entre cavalheiros. Nessa versão, o valor da mordida e a forma de pagamento não foram discutidos na presença de Temer. O acerto dos detalhes teria ficado a cargo de Claudio Melo Filho e Eliseu Padilha.
O problema é que, inquirido pelo ministro Herman Benjamin cinco dias depois, Melo Filho reiterou declarações que fizera aos procuradores da Lava Jato no âmbito do seu acordo de delação. Repetiu que o valor do repasse —R$ 10 milhões— foi acertado por Mercelo Odebrecht diretamente com Temer. Reiterou que o acordo Temer envolveu também a distribuição do dinheiro.
Melo Filho esclareceu a Herman Benjamin, relator do processo que pode resultar na cassação do mandato de Temer, que o agora presidente da República pediu explicitamente uma contribuição para o PMDB. O delator declarou que coube a Marcelo Odebrecht oferecer R$ 10 milhões. O empreiteiro sugeriu que o dinheiro fosse repassado integralmente à campanha de Paulo Skaf. A sugestão não agradou.
Lero vai, lero vem ficou entendido, sempre na presença de Temer, que a verba deveria abastecer outras campanhas além da de Skaf. Segundo Claudio Melo Filho, foi Marcelo Odebrecht quem propôs o rateio: R$ 6 milhões iriam para a campanha de Skaf e R$ 4 milhões seriam repassados a Eliseu Padilha, que cuidaria de redistribuir os recursos para outros candidatos, a critério do PMDB.
Em nota oficial divulgada na semana passada, Temer agarrara-se à versão de Marcelo Odebrecht, que lhe soara mais conveniente. Sustentara que, como presidente do PMDB, era seu papel pedir ajuda financeira para candidatos da legenda. Reafirmara que todo o dinheiro recebido da Odebrecht pelo PMDB —R$ 11,3 milhões— foi declarado à Justiça Eleitoral. Ecoando o empreiteiro, acrescentara não ter discutido cifras.
O doce purgatório do caixa dois
O andar de baixo faz suas declarações de Imposto de Renda e o de cima cria um atalho. Durante dois anos o PT ralou na sua descida pelos nove círculos do inferno. Tudo bem, porque tinha direito a essa excursão. Agora, às vésperas de uma nova lista do Janot, na qual brilharão estrelas do PMDB e do tucanato, aparece uma visão do purgatório, e ele se chamará caixa dois.
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