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Projeto prevê abater cerca de 5 mil búfalos em reservas ambientais de RO

Um projeto do governo de Rondônia pretende abater cerca de 5 mil búfalos que habitam as reservas Biológica do Guaporé e Florestal Pedras Negras, na região do Vale do Guaporé. Conforme a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sedam), o rebanho solto na região tem causado degradação ambiental, risco a moradores e, devido ao modo de vida selvagem, não há controle de doenças. A proposta deve ser analisada pela Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO) no primeiro semestre de 2016.

Animais saíram de fazenda e estão sem controle (Foto: Ísis Capistrano/ G1)Animais saíram de fazenda e estão sem controle em reserva de RO (Foto:Ronaldo Nina/Divulgação)

A Sedam explica que 30 cabeças da espécie foram trazidas na década de 1950 pelo governo da época para a Fazenda Experimental Pau D'Óleo, localizada na região. O objetivo era introduzir no estado a extração de carne, mas o projeto fracassou e os búfalos se dispersaram para as reservas onde se reproduziram ao longo dos anos e se tornaram asselvajados. De acordo com o secretário da Sedam, Francico Sales, o projeto prevê um cerco das áreas invadidas com a instalação de grandes currais para atrair os búfalos para coxos abastecidos com sal grosso, elemento químico que faz parte da dieta animal de bovinos e equinos.

Os animais serão capturados, passarão por uma quarentena e aqueles que atenderem aos quesitos estabelecidos pelas equipes sanitárias da Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril (Idaron) e Ministério do Meio Ambiente serão enviados para abate e comercialização da carne. "É o mesmo processo de abate de bovinos. O intuito é coletar todos os animais até a completa extinção prevista para cinco anos", explica o secretário.

Degradação ambiental A veterinária e analista da Sedam Márcia Oliveira alega que os animais ocupam uma grande região das áreas protegidas e têm causado transformações no meio ambiente. "Eles são animais grandes que andam em manadas e durante a peregrinação acabam formando trilhas que se transforma em valas. Durante as chuvas, as águas escoam o sedimento presente nestas trilhas para os rios que ficam assoreados", comenta.

Márcia afirma que não há predadores para os búfalos na região e eles aparecem no topo da escala predatória. Além disso, enxotam e destroem o habitat de animais nativos da reserva. "Em regiões de praias, por exemplo, os ovos de tartarugas são pisoteados pelas manadas. A flora também prejudicada porque os animais se coçam devido pulgas e derrubando as árvores com o peso", conta.

Praias onde tartarugas desovam pisoteadas por búfalos (Foto: Sedam/ Divulgação)Praias onde tartarugas desovam pisoteadas por búfalos (Foto: Ronaldo Nina/Divulgação)

Execução do projeto O projeto deve passar por votação na ALE-RO no primeiro semestre de 2016. Caso seja aprovado, a Sedam abrirá licitação pública para a contratação de uma empresa que ficará responsável pelo processo de captura, abate e tranposte a frigorígicos. "Todo o trabalho será privado. Nossa parte é fazer o acompanhamento do processo, prestar a vigilância sanitária e todos os procedimentos que dê legalidade ao abate e comercialização do produto de origem do búfalo", afirma o secretário Francisco.

Animais andam em manadas e formam valas (Foto: Sedam/ Divulgação)Animais andam em manadas e formam valas (Foto: Ronaldo Nina/Divulgação)

Márcia Oliveira diz que o plano estima densidade de um a três búfalos por quilômetro quadrado. A analista acredita no sucesso do comércio da carne. "A diferença de sabor entre a carne bovina e carne de búfalos é quase nula. Entretanto, a carne bubalina tem menos colesterol e mais ferro, adequada para alimentação de idosos e crianças”, finalizou.

Custo A Sedam estima que nos primeiros 12 meses de funcionamento serão necessários R$ 1,6 milhões para custear a construção de área para quarentena, adestramento, currais, coxo, incinerador, barcos, alojamento, materiais de consumo e despesas com funcionários. Segundo os estudos, nos anos seguintes o custo fica em torno de 15% do inicial, R$ 600 mil por ano. Um total de R$ 4 milhões em cinco anos.

Histórico O projeto apresentado pelo governo lembra que 30 búfalos dóceis foram trazidos ao estado pelo próprio governo de Rondônia na década de 1950 vindos da Ilha do Marajó, no Pará, para buscar tentar inserir a produção de leite, queijo e extração da carne de bubalinos. O rebanho ficou instalado na Fazenda Experimental Pau D'Óleo, área do governo federal cedida ao estado.

Segundo o projeto, os búfalos ficaram restritos durante anos à área da fazenda, mas a falta de programação, manejo inadequado e burocracia na transferência dos animais colaborou com o fracasso do projeto que foi finalizado em 1953. Os animais se adaptaram às condições locais e se reproduziram rapidamente.

Márcia Oliveira esclarece que os búfalos são animais exóticos que não pertencem à fauna brasileira e foram levados em 1890 para a Ilha do Marajó, onde se identificaram com o local úmido e alagado. "Foi aí que tiveram a ideia de trazê-los para Rondônia. Foi uma ideia boa, mas fracassou. O que culminou na multiplicação dos animais que hoje estão sem controle e asselvajados", finaliza.

Manada causa destuição na vegetação da reserva florestal em Rondônia (Foto: Sedam/Divulgação)Manada causa destuição na vegetação da reserva florestal em Rondônia (Foto: Ronaldo Nina/Divulgação)

Reservas Conforme Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Reserva Biológica do Guaporé tem 615,7 mil hectares e está entre os municípios de São Francisco do Guaporé e Alta Floresta do Oeste. Já a Reserva Florestal Pedras Negras fica localizada entres os mesmos municípios e conta com 124,4 mil hectares. g1 natureza /  globo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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