Sintoma e diagnóstico
A subida inesperada do autor best-seller de livros de autoajuda reflete, num primeiro momento, a fuga para a frente de eleitores que buscam alternativa à polarização entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro. Esse lugar já foi de Renan Santos, do Missão, mas ele parece ser muito agressivo para o gosto médio do eleitorado. O Cury candidato parece ter se encontrado com o Cury escritor em meio à campanha.
Começou a ser identificado por muitos dos milhões de leitores que já procuraram sua ajuda na leitura. Outros tantos já o haviam rejeitado como candidato a presidente. Não se sabe o que decantará dessa arrancada nas sondagens, que precisam ser comprovadas nesta semana pelas pesquisas do Datafolha e da Quaest, os dois principais institutos de pesquisa atuando no país.
Alguma coisa certamente se mexeu na disputa presidencial, e — como Cury diz ser de direita na cabeça, mas de esquerda no coração — ele tira no momento votos de vários candidatos, um pouco de Lula e Renan, a maior parte de Flávio. Não é à toa que tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio apoiam Renan contra a punição determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que suspendeu verbas e o proibiu de participar de debates e fazer campanhas nas redes sociais.
A saída de Renan, e a aparição de Cury, muda o panorama da disputa, embora não haja indicação ainda de que o escritor poderá disputar com Flávio a ida ao segundo turno. Renan, com sua bomba atômica e seus banhos de sangue, parece já ter chegado ao limite e não assusta seus adversários, só os eleitores. Cury é a incógnita chegando a bordo de drones, embaixadores influencers, uma vida digital que se parece muito com uma promessa de futuro empoderado, embora não saiba explicar como chegaremos lá.
Augusto Cury durante visita à Favela da Rocinha, no Rio — Foto: Reprodução/Redes sociais

