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Com novos pretextos, Trump renova ameaça de tarifaço

Movido por crenças equivocadas, o governo de Donald Trump novamente ataca parceiros comerciais com ameaça de novas tarifas.

Em mais um capítulo da sua cruzada protecionista, a Casa Branca agora mira o Brasil com medidas que, se não têm o caráter de chantagem política explícita do tarifaço de 2025, não deixam de revelar uma estratégia de hostilidade sistemática.

A investigação da chamada Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, aberta em julho do ano passado e recém-concluída, é o principal instrumento dessa nova ofensiva, que pode resultar em impostos de 25% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros.

Segundo a consultoria MB Associados, o impacto recairia sobre 27% das exportações nacionais para os Estados Unidos —cerca de US$ 9,5 bilhões dos US$ 37,7 bilhões exportados para o parceiro comercial em 2025.

Os setores mais atingidos incluem máquinas e equipamentos, madeira, produtos elétricos, calçados, têxteis, borracha, plásticos, etanol, açúcar e pescados.

Por conveniência americana, foram excluídos itens estratégicos, caso de componentes da indústria aeronáutica, além de alguns alimentos.

Em paralelo, a conclusão de outra investigação, sobre trabalho forçado, divulgada nesta quarta-feira (3), agrava ainda mais o quadro. A partir dela, propõe-se tarifa adicional de 12,5% sobre produtos do Brasil e de outros 58 países, sob a acusação de falhas no combate ao emprego em condições análogas à escravidão.

Tanto a Seção 301 quanto a apuração sobre trabalho forçado decorrem diretamente da derrota sofrida por Trump na Suprema Corte. Ao derrubar as tarifas globais impostas anteriormente, a Justiça obrigou a Casa Branca a buscar alternativas. Uma delas foi uma tarifa universal de 10%, decretada em fevereiro e com prazo de expiração em julho.

A lista de queixas americanas é extensa e, em vários aspectos, genérica: desmatamento ilegal, leniência no combate à corrupção, proteção insuficiente à propriedade intelectual, barreiras ao comércio digital e até o acesso ao mercado de etanol.

Algumas delas são francamente estapafúrdias, como a objeção ao Pix —que, segundo Washington, colocaria empresas americanas em "desvantagem injusta". Não importa a razão. O que os EUA querem é qualquer pretexto para acionar o gatilho tarifário. Trata-se de uma obsessão de Trump, que vê nas barreiras comerciais uma panaceia econômica.

Aqui, o ataque protecionista será inevitavelmente utilizado como arma eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra Flávio Bolsonaro (PL), que, ao lado do pai e dos irmãos, corteja Trump.

Espera-se que o governo acione os canais diplomáticos para, como no ano passado, mitigar o tarifaço.Também adepta do protecionismo, a administração petista pode demonstrar que o comércio é benéfico para exportadores e importadores.

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