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Homicídios concentrados

O Atlas da Violência, publicado na terça (26), revela desigualdades na incidência de assassinatos no país.
Segundo o levantamento, realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, metade dos homicídios em 2024 ocorreu em apenas 99 cidades, o que representa 1,8% do total de 5.570 municípios brasileiros e 43,4% da população.

Em 2024, foram registrados 42.590 homicídios, o que equivale a uma taxa de 20,1 por 100 mil habitantes. Mas, de acordo com estimativa elaborada pelos pesquisadores, que considera as mortes violentas sem causa determinada que poderiam ter sido homicídios, o total chega a 49.673, e a taxa vai a 23,4 por 100 mil.

Tendências verificadas em estudos anteriores são confirmadas nesta última edição do Atlas, como a interiorização da violência letal intencional: municípios de médio porte (entre 100 mil e 500 mil habitantes) apresentaram taxa média de homicídios superior à de grandes cidades.

Dentre os 20 municípios com maiores taxas, 1 está no Centro-Oeste (Mato Grosso), 2 no Norte (Pará e Amapá) e 17 no Nordeste, sendo 2 em Pernambuco, 5 no Ceará e 10 na Bahia —Salvador é a única capital na lista.

Estados do Norte e do Nordeste têm os maiores índices, alguns com quase o dobro da média nacional, casos de Amapá (45,7 por 100 mil), Bahia (40,9), Pernambuco (37,3), Alagoas (35,9) e Ceará (34,3). Já os de Sul e Sudeste possuem os menores, com São Paulo (6,6), Santa Catarina (8,1), Distrito Federal (10,3), Minas Gerais (12,8) e Rio Grande do Sul (15,2).

Segundo especialistas, a pulverização do crime organizado pelo país, principalmente no Norte e no Nordeste, ajuda a explicar as discrepâncias regionais e municipais, já que a chegada desses grupos tem impulsionado a letalidade com disputas violentas por controle territorial e poder.

Na região metropolitana de Fortaleza (CE), por exemplo, Maranguape tem pouco mais de 100 mil habitantes e vive sob o fogo cruzado de facções rivais. Sua taxa de assassinatos (87,2 por 100 mil) é a maior do país.

O diagnóstico do Atlas pode contribuir para a elaboração de estratégias de alocação racional de recursos para combater homicídios a partir das especificidades regionais e locais.

É preciso maior integração entre as três esferas de governo, com compartilhamento de dados e tecnologias, além de fortalecimento de inteligência para eliminar as estruturas financeiras que sustentam as facções.

A impunidade, que incita o crime, também precisa ser contida com incremento da investigação e do sistema de Justiça —pesquisa do Instituto Sou da Paz do ano passado mostrou que só em 36% dos casos de homicídios de 2023, ao menos um suspeito foi identificado até o final de 2024.

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