Busque abaixo o que você precisa!

Alívio na Mata Atlântica

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

 

Em 2025, o desmatamento de florestas maduras na Mata Atlântica, bioma mais devastado do Brasil, atingiu o menor nível da série histórica. De acordo com o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, a supressão de florestas maduras caiu 40% no ano passado em relação a 2024. Em quatro décadas de monitoramento, realizado pela SOS Mata Atlântica e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foi a primeira vez que o desmatamento ficou abaixo do patamar anual de 10 mil hectares.

 

Além disso, houve recuo de 28% no desmatamento geral, segundo o Sistema de Alertas de Desmatamento (SAD), desenvolvido pela SOS Mata Atlântica, MapBiomas e Arcplan. Excelentes, os resultados são dignos de comemoração e coroam o engajamento da sociedade e a adoção de políticas de proteção ambiental ao longo dos anos. A Lei da Mata Atlântica, por exemplo, completará 20 anos em dezembro deste ano.

 

Os dados de 2025 também demonstram que é possível que a Mata Atlântica seja o primeiro bioma do Brasil a alcançar desmatamento zero. Para isso, porém, é preciso manter o que vem funcionando bem e dar atenção redobrada ao que pode melhorar. Apesar de os números gerais serem bastante positivos, há assimetrias e peculiaridades quando se analisam os números Estado por Estado – a Mata Atlântica é um bioma compartilhado por 17 Estados brasileiros, que abrigam cerca de 70% da população do País.

 

Em 11 dos 17 Estados que compõem o bioma, houve recuo no desmatamento, sobretudo na Bahia e no Piauí. Mesmo assim, as duas unidades federativas ainda estão entre as principais responsáveis pela perda da cobertura florestal. Juntos, Bahia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Piauí concentram 89% da área total desmatada da Mata Atlântica.

 

“Políticas públicas e instrumentos de controle ambiental funcionam quando são aplicados com seriedade”, afirmou Luís Fernando Guedes Pinto, diretor-executivo da SOS Mata Atlântica. Os resultados corroboram essa declaração. Por isso mesmo, é preciso que a sociedade mantenha-se vigilante, e que as políticas de proteção ambiental não sejam desmontadas.

 

No final do ano passado, o Congresso derrubou vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que levou mais de 20 anos para ser aprovada. Nem a morosidade em processos de licenciamento ambiental nem a aniquilação da proteção ambiental interessam ao País.

A derrubada do veto presidencial que impedia a flexibilização de exigências ambientais na Mata Atlântica, por exemplo, coloca em risco a continuidade de resultados tão positivos na redução do desmatamento como os recém-divulgados.

 

Combinar preservação ambiental com um marco regulatório moderno, e que não seja facilmente contestado na Justiça, é essencial para o País. Facilitar o desmatamento na Mata Atlântica após tantos anos de esforços para revertê-lo é contraproducente para o Brasil, cuja economia depende em boa medida do olhar estrangeiro sobre as práticas ambientais do País. Ou seja, além de tudo, é mau negócio.

Compartilhar Conteúdo

444