Boa iniciativa do Tesouro
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
O Tesouro Nacional acaba de lançar uma nova opção de investimento, o Tesouro Reserva, que deve disputar a preferência do investidor com produtos financeiros já tradicionais, como a poupança e os Certificados de Depósito Bancário (CDBs), e também com modalidades mais recentes, como os chamados cofrinhos e similares, oferecidos por bancos e fintechs.
Quem tiver a partir de R$ 1 “sobrando” para investir pode valer-se do Tesouro Reserva, que rende 100% da taxa Selic e promete liquidez diária, ou seja, permite que o dono dos recursos saque os valores economizados a qualquer momento, sem perda de rendimentos.
Eis uma vantagem do Reserva em relação à poupança, a modalidade de investimento criada pelo imperador Dom Pedro II em 1861 e que até hoje é altamente popular, sobretudo na classe média baixa. É justo que quem mais precisa compor reservas de emergência tenha opções mais práticas e rentáveis para fazê-lo.
A poupança, ao contrário do novo produto do Tesouro, cobra um pedágio de quem saca os recursos antes da data-aniversário – é preciso esperar um mês, a partir do dia de depósito, para obter o rendimento apurado no período; se o saque é realizado antes da data-aniversário, perde-se o rendimento daquele mês.
Além disso, a poupança rende apenas 70% da Selic, mais Taxa Referencial (TR), quando a taxa básica de juros brasileira é inferior a 8,5%. Já quando a Selic é superior a 8,5%, cenário que já dura anos no País, a poupança rende 0,5% ao mês mais TR. De modo geral, mesmo sendo isenta de Imposto de Renda, a poupança rende quase sempre menos que outras opções.
Por outro lado, produtos que podem render mais, como os CDBs, estão atrelados a riscos mais altos. O caso do Banco Master ilustra bem isso. Quem esperava os retornos superiores a 140% prometidos pelo banco de Daniel Vorcaro e investiu acima de R$ 250 mil em CDBs do Master ficou sem o rendimento vitaminado e sem restituição do investido acima de R$ 250 mil, o teto de garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
É verdade que o Tesouro Reserva, bem como os demais produtos do Tesouro Nacional, não conta com a garantia do FGC. Ainda assim, são vistos como os instrumentos com o menor risco de crédito do Brasil, já que são garantidos pelo governo federal.
Num país como o nosso, marcado pelos baixos índices de poupança, a criação de produtos de investimento que equilibram baixo risco e retorno razoável merece aplauso.
A taxa de poupança interna brasileira, tanto do governo quanto da população, é de 14,5%, bem inferior à média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 22%. Mesmo em países mais pobres, como o Paraguai, poupa-se mais que o Brasil.
Mas, apesar de ser uma boa iniciativa, o Tesouro Reserva precisa ser bem divulgado, ou seja, chegar ao conhecimento da população. Também é necessário que a opção de investimento – disponível, por enquanto, só no Banco do Brasil – também apareça nas plataformas dos demais bancos, o que pode ser um desafio, já que os produtos do Tesouro competem fortemente com os do sistema financeiro.

