Pistas de pouso ilegal na Amazônia continuam a desafiar governo
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As maiores concentrações estão nos estados de Mato Grosso (967), Pará (942) e Roraima (385). Somente o município paraense de Itaituba, polo de extração de ouro, reúne 218 pistas clandestinas. Dentro de seu território se encontra a terra dos mundurucus, onde foram detectadas 22 pistas não cadastradas. Não é coincidência que os três estados concentrem as atividades de garimpo no país. “As pistas são a principal estrutura logística do ouro”, diz Larissa Rodrigues, diretora de pesquisa do Instituto Escolhas. “Todo ouro, legal ou ilegal, é exportado de avião, pois tem muito valor para o mercado, mas um volume pequeno.”
Não se pode dizer que o governo tenha permanecido inerte. Forças Armadas, Polícia Federal e Ibama têm feito operações para destruir pistas clandestinas ou inutilizar balsas e maquinário do garimpo ilegal. O número de pistas em Roraima diminuiu com as operações no território ianomâmi, mas aumentou no Pará e em Mato Grosso. Houve também mudança de postura em relação ao governo Jair Bolsonaro, que não valorizava as ações de combate ao garimpo ilegal. Mas a persistência das estruturas clandestinas mostra que o atual governo tem falhado.
Há desafios logísticos evidentes. As áreas são enormes, demandando helicópteros ou aviões em ações de vigilância. Há dificuldades com radares que só cobrem distâncias restritas e não captam voos baixos. Mas, apesar das estratégias dos criminosos para tentar ocultá-las dos satélites, não se pode dizer que as pistas de pouso clandestinas fiquem escondidas. Elas rasgam acintosamente áreas da floresta.
O governo precisa intensificar as ações de combate às pistas clandestinas. Facções criminosas já estão presentes em 45% dos municípios da Amazônia Legal. Não se trata apenas de narcotráfico. As quadrilhas atuam em várias frentes de ilegalidade. Inutilizar as pistas significa enfraquecer o garimpo ilegal que contamina os rios, bloquear rotas do tráfico e do contrabando. Espera-se que Lula cumpra o que prometeu.

