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Políticas eficazes contra violência têm efeito positivo na economia

Por  Editorial / O GLOBO

 

 

Policiamento ostensivo em São PauloPoliciamento ostensivo em São Paulo — Foto: Maria Isabel Oliveira / Agência O Globo

 

As vítimas da violência não se resumem aos mortos pelos bandidos. Nas regiões conflagradas, quem sobrevive ao crime também sofre consequências econômicas. Onde organizações criminosas imperam, a extorsão, a destruição de capital físico e até fatores intangíveis como estresse dificultam a vida de empreendedores e diminuem investimentos. Um estudo recém-publicado da Fundação Getulio Vargas (FGV) de São Paulo constatou os efeitos econômicos positivos das políticas de segurança pública bem-sucedidas. No período de 2002 a 2019, o Distrito Federal e cidades de oito estados que obtiveram êxito no combate ao crime registraram aumento entre 7% e 10% nas novas empresas e em vagas com carteira assinada.

 

A descoberta desmente que o avanço da criminalidade seja inexorável ou esteja imune às políticas dos governos estaduais. A divisão da cidade em áreas menores; a análise pormenorizada baseada em indicadores objetivos; a integração das forças policiais e outras instituições do Estado; o estabelecimento de objetivos com pagamento de bônus são medidas eficazes contra o crime.

 

No início do século, o governo de Minas Gerais deu os primeiros passos para a gestão baseada em dados, com resultados e pagamento relacionado ao desempenho. O estado criou e implementou um sistema estatístico para embasar decisões e premiações. Historicamente separados, os comandos das polícias Militar e Civil passaram a manter reuniões regulares, frequentadas por representantes de outros segmentos do setor público. Na mesma época, São Paulo também atualizou sua política de segurança. Uma das principais diretrizes foi a integração de dados policiais. Em pouco tempo, DF e outros seis estados (Pernambuco, Rio, Paraíba, Espírito Santo, Alagoas e Ceará) lançaram programas semelhantes.

 

De acordo com o estudo “Aprimorar a gestão policial aumenta o desenvolvimento econômico: evidências do Brasil”, o impacto dependeu do histórico da região. Nos lugares mais violentos, a redução do crime foi maior, mas os benefícios econômicos foram menores. Não estão claras as razões para a diferença. Talvez em cidades com menos homicídios a polícia tenha mantido foco na redução de crimes contra a propriedade, contribuindo para o êxito econômico. “Regiões com alto nível de violência podem precisar de intervenções adicionais, como programas sociais, incentivos econômicos específicos e investimentos em infraestrutura, para aproveitar totalmente o potencial econômico da redução do crime”, diz Bruno Pantaleão, autor do estudo. São pontos que ainda merecem mais pesquisas.

 

 

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