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Proteção de longo prazo

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

 

Um estudo publicado na revista científica Nature Medicine mostrou que a vacina Butantan-DV manteve, ao longo de cinco anos, uma eficácia de 80,5%. Isso quer dizer que, por um período considerável de tempo, o imunizante do Instituto Butantan evitou quadros graves de dengue como hemorragia ou casos de dengue com sinais de alarme, como dor abdominal ou sangramento de mucosas. E, no mesmo intervalo analisado, a eficácia geral contra a dengue sintomática foi de cerca de 65%. Como se vê, trata-se de uma excelente notícia.

 

Isso porque a dengue não é mais uma doença sazonal. Vetor do vírus, o mosquito Aedes aegypti procria, em tese, durante o período quente e chuvoso do ano, mas agora, com as mudanças climáticas, pode haver aumento dos casos em qualquer época, o que exige medidas de contenção da epidemia. Para se ter uma ideia, em 2024 foram nada menos do que 6,6 milhões de casos de dengue no Brasil, com 6,3 mil mortes. Já no ano passado, houve uma queda: foram 1,7 milhão de casos e 1,8 mil mortes. Mas os números ainda são altíssimos.

 

O rigor do estudo autoriza o otimismo: foi realizado um ensaio clínico de fase 3, randomizado, duplo-cego e controlado por placebo, que acompanhou 16.235 voluntários de 2 a 59 anos de idade – ou seja, um trabalho padrão-ouro. Descobriu-se ainda que, além de proteger contra os casos graves, a Butantan-DV evitou hospitalizações: foram oito internações entre os voluntários que receberam o placebo (5.976) e nenhuma no grupo dos vacinados (10.259).

 

A vacina japonesa Qdenga, que já está disponível no Brasil, também continua protegendo por até sete anos. São dois anos a mais de alta proteção do que a Butantan-DV, mas o imunizante brasileiro leva uma vantagem: enquanto a vacina da farmacêutica Takeda é aplicada em duas doses, a do Instituto Butantan é de dose única. A vacina brasileira, portanto, tem maior chance de adesão, pois não há a necessidade de o paciente voltar a uma Unidade Básica de Saúde (UBS) para receber mais uma dose.

 

Tudo isso pode resultar em campanhas de imunização mais focadas, mais ágeis e mais baratas, com potencial de redução dos custos logísticos em produção, distribuição e aplicação da vacina. E, não menos importante, a Butantan-DV confirmou ainda seu alto grau de segurança, sem nenhum sinal de alerta quanto à saúde dos voluntários. A fácil adesão, a segurança elevada e a eficácia prolongada fazem da Butantan-DV um instrumento promissor contra a dengue. Não à toa, a comunidade científica tem comemorado.

 

Já inserida no Programa Nacional de Imunizações (PNI), com 1,3 milhão de doses iniciais, a vacina brasileira deve alcançar a produção anual de 30 milhões de doses. A destinação do imunizante ao Sistema Único de Saúde (SUS) é um alento à população, que não pode de jeito nenhum baixar a guarda contra o mosquito, mantendo firme o combate aos focos de água parada, os criadouros do Aedes.

 

Um PNI robusto, políticas públicas de prevenção e a colaboração da população aumentam a esperança de superação da dengue. O potencial de ganho é imenso: mais vidas salvas e menos sofrimento daqueles que adoecem.

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