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Desaparecimento de crianças exige integração e empenho das autoridades

Por  Editorial / o globo

 

 

O desaparecimento de crianças e adolescentes alcança no Brasil proporções trágicas. A cada 22 minutos desaparece um menor de 17 anos, como revelou reportagem do GLOBO. Em 2015, foram registrados 32.490 casos, ou 90 por dia. Houve queda nos anos seguintes, mas, no ano passado, mesmo antes de os estados de São Paulo, Alagoas, Paraíba e Pernambuco enviarem seus dados, o total estava em 23.919 desaparecidos, ou 66 por dia — número 8,2% superior ao de 2024.

 

Para enfrentar a questão, o país não está na estaca zero. Existe o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas (CNPD), com informações dos boletins de ocorrência, permitindo cruzar dados. Existe também uma mobilização nacional para a coleta de DNA, usado para elucidar casos mais antigos. Foi assim que, em 2024, houve 35 identificações de menores que haviam desaparecido. Mas esse caminho, embora promissor, tem sido insuficiente.

 

A tecnologia é de grande importância na busca por crianças desaparecidas. O Brasil começa a adotar o Alerta Amber, sistema eletrônico batizado em homenagem a uma menina de 9 anos sequestrada e assassinada no Texas em 1996. Ele reúne nome, descrição física, foto, descrição dos suspeitos de sequestro, veículo, placa, roupa que o menor vestia — tudo, enfim, que possa facilitar a identificação. Um centro nacional reúne o banco de dados de crianças desaparecidas. O sistema dispara alertas locais, regionais ou nacionais a diversos dispositivos, como celulares, redes sociais, TVs, rádios ou painéis em estradas. Há um número telefônico para os cidadãos entrarem em contato e acionarem a polícia. Tudo é feito com grande rapidez para que os sequestradores não tenham tempo de fugir e o menor não se afaste demais. O sistema visa a combater sequestros, mas também pode ser usado para localizar os menores que se perderam.

 

No Brasil, a adoção do Alerta Amber tem o apoio da Meta, dona das redes sociais mais usadas pela população (WhatsApp, Instagram e Facebook). As redes exibem fotos e descrições dos menores num raio de 160 quilômetros do local do desaparecimento. Todos os estados já aderiram, com exceção de São Paulo. Embora ainda seja preciso ampliar o alcance do alerta, ele é um primeiro passo.

 

Apenas uma medida, contudo, não mitigará a tragédia do desaparecimento de menores. A participação da rede de escolas públicas é outra forma eficaz de facilitar as buscas. A questão exige maior articulação entre organismos públicos de segurança nas três esferas de governo. Não só para localizar as vítimas, mas também para alertar as famílias sobre os riscos.

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