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Olimpíada infame

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

Juízes e desembargadores da Justiça do Trabalho dos Estados do Amapá, do Pará e da Bahia participarão da 22.ª Olimpíada Nacional do Judiciário Federal sem ter descontado nenhum dia de falta. Diferentemente do que ocorreria com qualquer trabalhador brasileiro, os magistrados vão receber como se estivessem trabalhando enquanto, na verdade, participarão de um torneio esportivo com as práticas de atletismo, beach tennis, ciclismo, damas, dominó, futebol de mesa, futevôlei, natação, pesca, tênis de mesa, tiro ao alvo e xadrez. Esses dias de integração e lazer de 20 a 26 de setembro se darão em Foz do Iguaçu, no Paraná, um dos principais cartões-postais do Brasil.

Realizada pela Associação Nacional dos Servidores do Judiciário Trabalhista (Anastra), essa “olimpíada”, segundo a entidade, serve para celebrar o esporte e estimular a “união entre os servidores e magistrados do Judiciário federal”. Como afirma a entidade em seu site, o torneio é “uma oportunidade única de vivenciar o espírito esportivo e a camaradagem”. E esses camaradas que, não raro, como mostram reiteradamente reportagens deste jornal, recebem acima do teto constitucional – hoje de R$ 46,3 mil, o salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) – foram incentivados pelas direções de seus tribunais a participarem do torneio.

 

O Tribunal Regional do Trabalho da 8.ª Região (TRT-8), que abrange o Pará e o Amapá, informou em seu site que bastava ao interessado fazer um “requerimento de dispensa de ponto”. Tanto o TRT-8 como o TRT-5, que fica na Bahia e cujos magistrados também foram estimulados a participar da “olimpíada”, afirmaram que a ida ao evento não isenta os magistrados de cumprir com suas obrigações. De acordo com as cortes, o atendimento não será afetado, seguindo-se a agenda de audiência e sessões. É de perguntar, porém, como os magistrados darão conta de seu trabalho a milhares de quilômetros de distância de seus gabinetes e a poucos metros das Cataratas do Iguaçu.

 

O que parece importar mesmo, como afirmou o TRT-5, é que a Olimpíada Nacional do Judiciário Federal promove integração e “saúde física e mental dos trabalhadores”, como preceitua o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em uma de suas muitas resoluções. O problema é que parte desse entretenimento desportivo será custeada, mais uma vez, com o dinheiro do contribuinte. Afinal, quem não trabalha não recebe salário.

 

Trata-se de mais um capítulo de caprichos e privilégios da Justiça do Trabalho, agora num evento que escancara uma proximidade entre as direções das cortes e as associações de classe que beira a promiscuidade. Recentemente, a Justiça do Trabalho, que se autointitula a “Justiça social”, mandou construir no Aeroporto de Brasília uma sala vip para que os ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) não fossem incomodados por “pessoas inconvenientes”. Também há poucos dias o TST comprou 30 veículos Lexus, avaliados em quase R$ 350 mil cada, para atender seus 27 ministros. Sala vip, carros de luxo e torneios exclusivos fazem a “Justiça social” mais parecer a “Justiça do deboche”.

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