Varejo mostra primeiros indícios de desaceleração
Míriam Leitão/ Por Luciana Casemiro / O GLOBO
As vendas no comércio começam a dar os primeiros indícios de desaceleração. Depois de recordes consecutivos, o setor registrou a segunda queda mensal, dessa vez, o recuo foi de 0,2% em maio, segundo os dados da Pesquisa Mensal do Comércios (PMC), do IBGE. O resultado um pouco abaixo do esperado pelo mercado, colocou um viés de baixa no indicador, diz o economista Rodolfo Tobler, pesquisador do FGV Ibre. O fato de que a maior parte dos segmentos ainda registrou crescimento, ainda levanta dúvidas sobre a perda de ritmo da atividade, na avaliação de Tobler. Quando comparado a maio do ano passado, o volume de vendas do varejo cresceu 2,1%. No acumulado em 12 meses a alta foi de 3%.
- Há indicadores apontando o início da desaceleração da economia. O comércio, no entanto, ainda não mostra uma perda grande de ritmo. Afinal, em março tivemos um número recorde e nos dois meses seguintes, apesar de queda, as variações foram próximas a zero, o que pode indicar uma certa estabilidade. Por isso, é preciso ver os dados de junho para confirmar essa perda de ritmo.
Os dados do IBGE, mostram que houve crescimento mensal em seis das oito atividades: Tecidos, vestuário e calçados (7,1%), Móveis e eletrodomésticos (7,0%), Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (5,5%), Equipamentos e material para escritório informática e comunicação (4,7%), Livros, jornais, revistas e papelaria (2,5%) e Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (1,2%). Apenas dois setores tiveram variação negativa em relação a abril: Combustíveis e lubrificantes (-0,6%) e Outros artigos de uso pessoal e doméstico (-0,4%).
Chama atenção num cenário de juros altos, o fato de na comparação interanual o segmento de veículos e motos, partes e peças ter subido 1,5% e Material de Construção ter tido alta de 4,7%. O desemprego em sua mínima histórica e o crescimento da renda são os responsáveis pelos bons dados do varejo, afirma o economista. Em maio, acrescenta Tobler, dois outros fatores favoreceram o comércio:
- A acomodação do câmbio em maio beneficiou segmentos como o de eletrodomésticos e materiais de escritório. O arrefecimento da inflação de alimentos também ajudou o setor supermercadista. No entanto, não é razoável supor que esse ritmo se mantenha no segundo semestre. Os juros já estão em patamar elevado há quase um ano e isso deve começar a se refletir na atividade econômica e com alguma defasagem no emprego e na renda. Não é que vá acontecer uma piora drástica, mas os dados devem oscilar, não se manterão no ritmo que temos visto.
Em seu relatório o economista Rodolgo Margato, da XP, avalia que o aperto da política monetária está sendo efetivo. E destaca que "setores mais sensíveis ao ciclo econômico, como indústria de transformação e comércio varejista, perderam fôlego nos últimos meses. E essa tendência deve continuar ao longo do segundo semestre do ano".
Arrefecimento da inflação e valorização do real contribuíram para variação positiva na maioria dos segmentos do varejo em maio — Foto: Hermes de Paula/Agência O Globo
