Mais gás para o rombo fiscal
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Sem saber de onde tirar dinheiro para bancar a ampliação da distribuição gratuita de botijões de gás de cozinha (GLP), uma das apostas de Lula da Silva para angariar simpatia – e o voto – na campanha presidencial de 2026, técnicos do governo buscam restringir a cerca de 16 milhões de famílias o público a ser atendido, como noticiou o Estadão. Já equivaleria ao triplo das 5,5 milhões do catálogo atual do benefício. Mas Lula continua a anunciar que o programa chegará, ainda neste ano, a 22 milhões de famílias, incluídos aí todos os beneficiários do Bolsa Família.
O descrédito fiscal do governo vem tão somente de suas ações. Ao mesmo tempo que apela a gambiarras tributárias, como a proposta de aumento do IOF, para tentar conter o déficit público no limite permitido pelo arcabouço, a gestão lulopetista abraça o propósito de multiplicar a distribuição de auxílios. Note-se que o esforço atual da equipe econômica não é para entregar um resultado positivo em 2025, mas para confinar o prejuízo a 0,25% do PIB, ou R$ 31 bilhões. No ano passado, o déficit nas contas públicas foi de R$ 43 bilhões.
Mas isso não parece alarmar Lula da Silva, mais preocupado em posar de distribuidor de benesses assistenciais que criam a imagem ilusória de combate à desigualdade social. Na verdade, agigantados por Lula, esses programas tendem a criar uma dependência exagerada da população ao governo sem atacar as causas da desigualdade, fincadas em questões há muito conhecidas, como os investimentos insuficientes em saúde, educação, qualificação e, claro, a má gestão de recursos públicos.
Para promover de forma competente a igualdade social seria preciso uma visão de longo prazo que Lula não quer ter. Sua mira está focada nos efeitos imediatos de um Estado provedor, embora não haja recursos públicos que banquem seu instinto gastador. Em evento numa cidade do Mato Grosso no dia 24 passado, por exemplo, anunciou que todos os beneficiários inscritos no Cadastro Único não precisariam mais precisar pagar pelo gás.
Em março, 40,8 milhões de famílias estavam registradas no CadÚnico, a porta de entrada da população de baixa renda aos programas sociais do governo. Pelos dados oficiais, são 93,7 milhões de brasileiros beneficiados por algum tipo de auxílio, ou seja, em torno de 45% de toda a população, estimada pelo IBGE em 212 milhões.
Não há definição sobre a fonte dos recursos para o programa “Gás para Todos”, que o governo pretende lançar até setembro. O Ministério da Fazenda defende a inclusão do programa no Orçamento, enquanto o Ministério de Minas e Energia defende o uso do Fundo Social do Pré-Sal. Lula tem pressa em publicar a medida provisória que instituirá as novas regras. Quer que seja um dos cartões de visita na série de viagens que fará pelo País para, segundo afirmou, combater a desinformação sobre seu governo – desculpa esfarrapada para fazer campanha eleitoral fora de hora.

