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O prejuízo com a insegurança

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

 

Carente de áreas verdes, São Paulo ganhou recentemente uma trilha urbana de 182 quilômetros, a maior da cidade, que conecta unidades de conservação, represas e parques naturais na zona sul da capital. É, portanto, uma excelente notícia, festejada pelos paulistanos, como pudemos verificar nas manifestações de leitores deste jornal reunidas no Tema do Dia da edição de 20 de abril passado. No entanto, todos esses leitores foram unânimes em dizer que, apesar de felizes com a iniciativa, não pretendiam usufruir da novidade, por uma razão fundamental: a insegurança.

 

“A região é linda, mas o extremo da zona sul é muito violento, não tenho coragem”, escreveu a leitora Sheila Bitencourt. Outra leitora, Edilaine Bompani, também lamentou: “Deve ser lindo, mas com certeza a segurança é zero”.

 

Esse é um bom retrato da sensação de vulnerabilidade que muitos paulistanos têm em sua cidade. Ainda que a Trilha Interparques, como é chamado o circuito, tenha sido entregue com a promessa de vigilância 24 horas em alguns pontos, os moradores da capital desconfiam – um sentimento que só será mitigado quando o policiamento se fizer mais efetivo e presente e quando andar com o celular na mão deixar de ser perigoso.

 

É uma pena que o medo impeça o paulistano de usufruir de tudo o que a cidade tem para o lazer de seus moradores, como é o caso da Trilha Interparques, que oferece píeres com vista para a Represa Billings, um dos principais reservatórios de água da região metropolitana, torre de observação panorâmica para outra represa, a Guarapiranga, e áreas para piquenique.

 

O visitante também pode ver a transição da Mata Atlântica, bioma caracterizado por mata densa e exuberante, para o Cerrado, de vegetação mais baixa e esparsa. Acessível por diversos pontos, a Trilha Interparques pode ser percorrida a pé ou de bicicleta. De acordo com a Prefeitura, o percurso é sinalizado de modo que ninguém se perca em área de mata.

 

Ademais, projetos como a Trilha Interparques podem estimular a preservação ambiental. Nessa região específica, de grandes represas, um ganho potencial é a conscientização sobre a necessidade de fontes de água livres de poluição. E para a população local um parque desse tipo pode representar oportunidades econômicas que, como se sabe, não são abundantes nos extremos da capital paulista. Ou seja, todos têm a ganhar.

 

Para que todo esse potencial se realize, contudo, o poder público precisa atuar de maneira mais firme para dar aos usuários a segurança que eles esperam. A Secretaria Municipal de Segurança Urbana afirmou que intensificou o patrulhamento da Guarda Civil Metropolitana em pontos estratégicos do parque, mobilizando 29 viaturas e 87 agentes. Parece insuficiente para uma rota de mais de 180 quilômetros, que atravessa regiões com altos índices de criminalidade.

Seria uma pena que a Trilha Interparques fosse preterida como programa familiar de lazer dos paulistanos em razão do medo.

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