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Queda na aprovação do governo reflete desconexão da realidade da população

Por  Editorial / O GLOBO

 

Parece claro que as mudanças na comunicação e as medidas populistas em série anunciadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva não têm surtido o efeito desejado. Pela última pesquisa Quaest, o resultado parece o oposto: a desaprovação ao governo registrou a quarta alta consecutiva e alcançou 56%, 15 pontos acima da aprovação, um nível inédito (no levantamento anterior, em janeiro, a diferença era de 2 pontos). Desde julho, a rejeição a Lula subiu 13 pontos.

 

Por qualquer ângulo que se olhe, os resultados são desastrosos para o governo. A insatisfação se alastra por todas as regiões, mas chama a atenção no Nordeste, conhecido bastião petista. A desaprovação na região saltou de 37% para 46%, enquanto a aprovação caiu de 59% para 52%. No Sudeste, maior colégio eleitoral do país, a desaprovação bateu 60%, ante aprovação de 37%. De modo geral, Lula perdeu apoio sobretudo entre os mais jovens, na população com ensino superior incompleto e de renda média baixa.

 

Um dado deveria servir para reflexão no Planalto: mais da metade dos brasileiros (53%) considera o terceiro mandato de Lula pior que os anteriores. Na comparação com Jair Bolsonaro, Lula também aparece em desvantagem: 43% dizem que a atual gestão é pior, e 39% a consideram melhor. A escalada na desaprovação revelada pela Quaest está em sintonia com levantamentos recentes de Datafolha e Ipsos-Ipec.

 

As pesquisas refletem o óbvio: o governo Lula não tem dado respostas satisfatórias aos anseios da população (para 71%, ele não cumpre as promessas de campanha). Nos últimos meses, os eleitores viram disparar os preços em feiras e supermercados. Nem dá para culpar só o ovo e o café. Tudo ficou mais caro. O aumento nos níveis de emprego e renda não tem sido suficiente para se contrapor à carestia. Na segurança, o governo tem sido incapaz de apresentar soluções para a explosão de violência que amedronta os cidadãos. As filas do SUS não diminuem, a despeito das promessas de campanha. Por todos os lados há problemas.

 

A crise fiscal crônica pode preocupar apenas a parcela mais escolarizada e os estratos mais altos da sociedade, mas é dela que derivam a incerteza que faz disparar os preços e a falta de recursos para políticas públicas consistentes. Lula fez mudanças na comunicação, achando que o maior problema do governo era não saber se comunicar. Mas comunicar o quê? O governo só tem anunciado medidas populistas — e dispendiosas —, como a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e programas sociais reciclados. Pelo que mostram as pesquisas, nada disso tem convencido.

 

Não se sabe qual será a reação do governo diante de mais uma pesquisa indigesta. O certo seria colocar as contas em ordem e melhorar os serviços à população, sobretudo na área de segurança, hoje maior preocupação dos brasileiros, segundo a Quaest. O errado seria aumentar a gastança com medidas demagógicas na tentativa de aumentar os índices de aprovação. Não há programa ou propaganda capaz de vendar os olhos dos eleitores para a realidade.

 

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