O MEC deve defender o Pé-de-Meia
Se o ralo do Fies tivesse sido reconhecido ou denunciado no primeiro ano da festa, o buraco teria sido menor. Infelizmente, o governo preferiu fazer o jogo do contente, enquanto as ações dos grupos que controlavam as faculdades bombaram na Bolsa de Valores.
As fraudes descobertas no Pé-de-Meia são pontuais, pois o dinheiro vai direto para o bolso dos estudantes ou de suas famílias. O MEC tem dois caminhos: pode varrer o problema para baixo do tapete com estatísticas mágicas ou pode cavalgar nas denúncias, expondo os municípios fraudadores. É difícil imaginar que as fraudes numa cidade partam de iniciativa dos estudantes. O lance seria impossível sem a mão invisível de gente da rede pública de ensino.
Além das fraudes que podem desmoralizar o Pé-de-Meia, sob o guarda-chuva do MEC há hoje outra esquisitice. O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) engavetou dados do seu sistema de avaliação do desempenho dos estados. A decisão, tomada pela direção, contrariou pareceres técnicos.
Os dados engavetados mostram que alguns estados vão bem e outros vão mal. O efeito político dessas avaliações é óbvio: alguns governadores ficarão felizes e outros amargurados.
O Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) é uma conquista da pedagogia nacional. Ele mostra quem vai bem e quem não vai. Sua utilidade depende da divulgação das pesquisas.
Avaliar para engavetar seria repetir o que fazia D. Pedro II. Em suas viagens pelo Brasil, além de contar degraus de escadas, fazia questão de visitar escolas, arguindo professores e alunos. Em 1859 ele foi à Bahia, contou 107 degraus, conversou com diversos professores, anotou tudo, para nada. Como lembrou Sérgio Buarque de Holanda, naquela figura avaliadora e paternal havia “muito lastro para pouca vela”.
Os dados do Inep e o Pé-de-Meia não podem virar lastro de barco sem vela.

