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Lula está diante de inflação combinada com freio no PIB

Como era de esperar depois do choque de juros e da piora geral das condições financeiras decorrentes da política orçamentária irresponsável do governo petista, os primeiros sinais de desaceleração da economia começam a aparecer.

Em dezembro, a criação de empregos com carteira assinada, ajustada para excluir fatores sazonais, caiu para apenas 23 mil, a primeira surpresa negativa em dois anos de ritmo mensal de cerca de 150 mil postos.

Em janeiro, outras evidências, desta vez nas sondagens de confiança de vários setores da economia, sugerem apreensão quanto ao futuro. O indicador relativo aos consumidores, por exemplo, caiu de 91,3 para 86,2 pontos no mês, a leitura mais baixa desde fevereiro de 2023.

Alta da inflação em itens essenciais, como alimentos e combustíveis, corrói o poder de compra e deve levar as famílias a um comportamento mais austero diante dos riscos, que podem incluir a perda de emprego.

Com a escalada do dólar, mesmo que arrefecida nas últimas semanas, e do IPCA, que aponta para mais de 5% neste ano, o Banco Central vem elevando sua taxa de juros. A Selic já está em 13,25% ao ano e deve ter mais uma elevação de 1 ponto percentual em março. Ainda não é claro quando cessará o arrocho monetário.

A causa para essa conduta é a gigantesca expansão dos gastos públicos nos últimos dois anos, que impulsionou a demanda além da capacidade produtiva e com isso pressionou os preços.

Mesmo descontando fatores sazonais para o encarecimento dos alimentos, o gênio da inflação de serviços, mais duradoura, já saiu da garrafa —e será custoso colocá-lo de volta.

A questão, agora, é qual será a resposta do Planalto. Os ensaios da área política do governo, até aqui, são preocupantes.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já deu declarações desastradas sobre como os brasileiros devem lidar com a inflação, sugerindo alterações nos hábitos de consumo como forma de baixar preços.

Apenas colheu piadas nas redes sociais, em mais uma falha de comunicação depois da trapalhada em torno do monitoramento da Receita Federal sobre as transações por meio do Pix.

O mandatário também insistiu que os bancos públicos devem expandir o crédito. Tudo indica que novas iniciativas virão para ampliar modalidades, como o consignado, mesmo diante do já elevado endividamento das famílias e do comprometimento da renda com o pagamento de juros.

Tais medidas seriam um contraponto à alta da Selic —algo temerário, pois qualquer tentativa de dificultar o ajuste necessário para controlar a inflação apenas tornará ainda mais contraditória a política econômica.

Hoje, o aumento insustentável das despesas do Tesouro Nacional tem efeito acelerador no PIB, enquanto os juros do BC buscam frear a atividade. O perigo, como de costume, é que nenhuma das tarefas seja cumprida a contento.

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