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BC de Galípolo dá continuidade à gestão Campos Neto e aperta os juros para combater a inflação

Por Alvaro Gribel / O ESTADÃO DE SP

 

Banco Central sob Gabriel Galípolo permanece com o mesmo compromisso de combater a inflação que havia sob a gestão do ex-presidente Roberto Campos Neto. Nesta quarta-feira, a Selic subiu mais um ponto percentual, para 13,25%, conforme previsto pelo próprio BC na reunião anterior.

 

O BC também confirmou que haverá mais uma alta de um ponto em março, o que levará a Selic para 14,25%. Embora não tenha sido explícito sobre aumentos futuros, o comunicado da decisão deixou a porta aberta para seguir com o aperto da política monetária nas reuniões seguintes.

 

Embora alguns economistas possam entender a falta de novos sinais como um tom mais brando por parte da nova diretoria, a cautela é justificável, depois da forte queda do dólar nas últimas semanas. Após bater em R$ 6,39 no dia 25 de dezembro, a moeda americana recuou para R$ 5,86 no fechamento desta quarta-feira, 29. Um recuo de 8,2% nesse período, que segue movimento global, depois de o presidente Donald Trump não ter cumprido — por ora — as promessas de campanha de elevar fortemente as tarifas comerciais contra a China e outros países desenvolvidos.

 

O tombo do dólar também mostra que nem toda a piora do câmbio teve relação com a política fiscal do governo Lula. Um bom pedaço do movimento veio de fora, como apontado por especialistas, mas é importante frisar que o patamar de R$ 5,86 ainda é bastante elevado. No início de outubro do ano passado, por exemplo, o dólar era cotado na casa de R$ 5,42.

 

Desde a reunião do Banco Central de novembro, as projeções de inflação tiveram forte piora, o que justifica o aumento de um ponto da Selic. Segundo compilação do Itaú Unibanco, a estimativa do mercado financeiro para o IPCA de 2025 saiu de 4% para 4,59%, na reunião do Copom de dezembro, e disparou para 5,5% neste mês de janeiro. Para 2026, o aumento passou de 3,6% para 4,22%, no mesmo período.

 

Nesta quarta-feira, 29, o Fed, banco central americano, manteve a taxa de juros entre o patamar de 4,25% e 4,5% e reafirmou que a inflação permanece “um pouco” elevada, em relação à meta de 2%. Economistas entenderam que os juros permanecerão nesse patamar por algum tempo, até que fique mais claro para onde vai a política econômica de Donald Trump. O mercado ainda aposta em dois cortes este ano, mas há risco de que os juros por lá caiam menos, o que fortaleceria o dólar contra o real.

 

Como apontou a economista-chefe da CM Capital, Carla Argenta, palavras escolhidas a dedo no comunicado do BC brasileiro, como “seguem”, “permanecem” e “se mantêm”, têm por objetivo mostrar que houve continuidade na gestão da instituição, mesmo com a entrada dos novos diretores indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O comprometimento do BC parece claro, o que falta mesmo é a ajuda da política fiscal.

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Opinião por Alvaro Gribel

Repórter especial e colunista do Estadão em Brasília. Há mais de 15 anos acompanha os principais assuntos macroeconômicos no Brasil e no mundo. Foi colunista e coordenador de economia no Globo.

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