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É lamentável incapacidade do MEC de proteger informações do Sisu

Por Editorial / O GLOBO

 

 

Não bastasse a tensão inerente a tentar obter vaga em universidade, o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) entrou em pane às vésperas do fim do prazo para a escolha dos estudantes. Oficialmente acaba hoje a inscrição para candidatos a 261.779 vagas em 6.851 cursos de graduação de 124 universidades públicas. Nos últimos dias, os erros verificados no acesso ao Sisu têm espalhado enorme insegurança. Há relatos de mudança nas opções de cursos, troca de perfis de candidatos e permissão para que uns alterem escolhas dos outros. Mesmo procurando negar as falhas, o Ministério da Educação (MEC) acionou a área de tecnologia para averiguar.

 

Diversos problemas no acesso ao Sisu foram relatados nas redes sociais durante o último fim de semana. Não apenas trocas por dados de outros candidatos, mas também mudanças de cursos feitas automaticamente pelo sistema. Em geral, quando o estudante saía e entrava novamente na plataforma, os dados verdadeiros eram recuperados. Mas sempre restava a preocupação sobre que informações o Sisu levaria em conta.

 

O estudante Benedito Cavalcante conta que, no último sábado, ao entrar no Sisu para tentar modificar uma de suas opções, a plataforma o dirigiu ao perfil de outra candidata chamada Maria Eduarda. Benedito, que mora em Manaus e pretende cursar medicina, obteve acesso aos dados pessoais dela e a suas opções de cursos, farmácia e pedagogia, em universidades do Ceará. Casos do tipo se multiplicaram. Uma estudante teve o bom senso de entrar em contato com o dono do perfil a que teve acesso, e os dois combinaram ativar a identificação em duas etapas, destinada a dificultar o acesso de terceiros. Mas claro que a segurança de nenhum sistema público que armazena dados sensíveis pode depender do bom senso nem da boa-fé dos usuários. É lamentável a incapacidade do MEC de proteger as informações dos estudantes.

 

Se a falha no sistema fizer com que o estudante perca a prévia de sua classificação no Sisu, ele ficará no escuro com relação a suas notas. O professor de matemática Frederico Torres, cujo perfil no Instagram sobre Enem e Sisu tem 108 mil seguidores, diz ter recebido mais de 20 mensagens sobre a invasão de perfis alheios e passou a aconselhar que, por precaução, os candidatos fizessem imagens das páginas a cada alteração de curso ou universidade, além de gravar tudo em vídeo para o caso de haver divergências quando o resultado final for divulgado. Outro conselho é abrir um processo na Ouvidoria do MEC.

 

Também rondam os estudantes ameaças de estelionatários. Um deles oferecia um link para o pagamento de uma taxa para inscrição gratuita no Sisu, no Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) e no Programa Universidade para Todos (Prouni). Infelizmente, a ameaça mais premente está dentro dos próprios computadores do MEC. Tais falhas, logo no momento em que centenas de milhares de estudantes se inscrevem no ensino superior, não podem ser toleradas.

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