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Sem força

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Como qualquer política pública, programas de segurança devem se basear em evidências, inclusive com análise do custo-benefício, cotejando ganhos para a sociedade e gastos públicos. Tome-se o caso da Força Nacional em operação no Rio de Janeiro desde outubro, em tese para lidar com a crise de segurança no estado.

A ausência de um plano estruturado que guie a atuação dos agentes começa a cobrar a sua fatura. Prorrogada pelo governo federal até janeiro, a presença da Força Nacional no Rio não será continuada devido a alguma constatação de sua eficiência. O cenário, na realidade, mostra-se o oposto.

Manter como vitrine um programa federal de segurança no estado parece ser o principal propósito do governador Cláudio Castro (PL) e do Ministério da Justiça, a despeito dos números.

Levantamento da GloboNews, com dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação, revela que a operação gastou R$ 10 milhões em 45 dias, resultando em 10 mil abordagens que não levaram a nenhuma apreensão de drogas ou armas —mesmo com 300 agentes deslocados de outros estados para patrulhar rodovias com esse fim.

As maiores despesas foram com novos equipamentos como fuzis e granadas (R$ 3,5 milhões) e pagamento de diárias aos policiais de outros estados (R$ 3,6 milhões).

Os números revelam a baixa eficácia de políticas de segurança fundadas apenas no policiamento ostensivo, e não em inteligência e investigações. Em um mês de atuação da Força Nacional, só sete caminhões foram revistados.

Deslocar para o Rio de Janeiro agentes de outras regiões sem conhecimento da realidade local, em vez de incrementar as forças de segurança no estado, inclusive a Polícia Rodoviária Federal, serve mais para maquiar o problema do que para de fato combater o crime.

Os próprios policiais estão entre os atingidos pelo amadorismo da política. Na terça (28), dois agentes da Força Nacional tiveram suas armas roubadas por traficante no Complexo do Chapadão, após entrarem no local por engano ao usar aplicativo de GPS.

No mesmo dia, outro agente foi assassinado na Vila Valqueire, ao intervir em uma briga entre vizinhos.

Cabem aos governos nas esferas estadual e federal explicitar objetivos estratégicos e corrigirem os rumos, diante das evidências de que a operação pouco resultado trouxe até o momento.

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