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Carta a Comandante do Exército recebe adesões de militares e civis

Um documento intitulado Carta dos Oficiais Superiores da Ativa ao Comandante do Exército Brasileiro circulou nesta segunda-feira, 28, em grupos de WhatsApp de militares sem trazer nenhuma assinatura e, depois, foi postado como petição na internet, onde recebeu cerca de 600 adesões, quase todas de oficiais da reserva ou de civis. Nenhum oficial general assinou o documento e menos de uma dezena de signatários se identificou como militar da ativa – entre eles um da marinha e outro da Força Aérea.

O documento faz considerações sobre compromissos dos militares com a legalidade e críticas veladas à atuação do poder Judiciário no processo eleitoral, mas evita manifestações diretas. A carta conclui afirmando que os oficiais estão “atentos a tudo que está acontecendo e que vem provocando insegurança jurídica e instabilidade política e social no país”. E segue fazendo uma crítica à atuação do Poder Judiciário. “Ademais, preocupa-nos a falta de imparcialidade na narrativa dos fatos e na divulgação de dados, por parte de diversos veículos de comunicação.”

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro durante ato que contesta resultado da eleição presidencial em frenta ao Quartel General do Exército, em Brasília
Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro durante ato que contesta resultado da eleição presidencial em frenta ao Quartel General do Exército, em Brasília Foto: Wilton Júnior/Estadão - 15/11/2022

O documento termina com a seguinte afirmação: “Covardia, injustiça e fraqueza são os atributos mais abominados para um Soldado. Nossa nação, aquela que entrega os maiores índices de confiança às Forças Armadas, sabe que seus militares não a abandonarão.” O documento faz uma crítica velada à posição legalista da maioria dos militares da ativa, contrários a quaisquer aventuras que signifiquem um golpe de Estado contra o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

Estadão procurou militares da ativa e da reserva – generais e coronéis – para saber da veracidade do documento e eles confirmaram que a carta circulou em grupos de oficiais. Ao mesmo tempo, eles repudiaram o documento como impróprio e defenderam que os possíveis signatários da ativa sejam punidos em razão da indisciplina. Todos os oficiais consultados chamaram a atenção para o fato de nenhuma liderança militar assinar a carta e que a maioria dos subescritores não ser nem mesmo militar, o que mostraria pouca relevância do documento.

Por fim, chamam a atenção para o fato de que nenhum episódio de indisciplina foi registrado desde que a frente dos quartéis foi ocupada por bolsonaristas, nem mesmo um único oficial confraternizou com os manifestantes.

Um oficial foi enfático ao dizer que os militares sabem que existem atores tentando usá-los nessa “campanha orquestrada e deliberada”. E disse: “Nós conhecemos o sotaque. Aqui ninguém é bobo”. Ele alertou que quem tiver contas para pagar vai pagar. O ESTADÃO

 

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