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O que Lula, PT e aliados já disseram sobre Arthur Lira e orçamento secreto

Durante a campanha eleitoral, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi um dos candidatos que mais criticaram o orçamento secreto, esquema de distribuição de emendas revelado pelo Estadão. Durante entrevistas, o petista defendeu que, caso eleito, terminaria com esse mecanismo de transferência de recursos sem transparência no Congresso Nacional. Agora, porém, a equipe do novo governo enfrenta um impasse: para aprovar a PEC de Transição com a retirada de algumas despesas do teto de gastos, o Centrão solicitou que o orçamento secreto continue.

Lula já classificou o orçamento secreto uma forma de “extorquir prefeitos e a população” e disse que “representa a submissão de Bolsonaro ao Congresso”. “Desde D. Pedro, nós não tivemos nunca ninguém que se rastejasse tanto para o Congresso Nacional como o presidente Bolsonaro. Ele está de quatro diante do Congresso Nacional. Ele não tem força para dizer as coisas”, afirmou o petista durante entrevista para a rede de rádios RDR, do Paraná.

Alckmin, Lira, Lula e Gleisi durante uma das primeiras reuniões da equipe de transição com o presidente da Câmara após a eleição.
Alckmin, Lira, Lula e Gleisi durante uma das primeiras reuniões da equipe de transição com o presidente da Câmara após a eleição. Foto: Wilton Junior/Estadão - 9/11/22

Em outra entrevista, Lula declarou que os papéis de governança do País foram “trocados.” “Hoje quem governa o Brasil são os deputados por meio do orçamento secreto”, disse Lula à Rádio Super Tupi, do Rio de Janeiro, no início de fevereiro. Em ato de campanha, o petista afirmou que o esquema era “a maior bandidagem feita em 200 anos de República”.

Durante entrevista no Jornal Nacional, Lula classificou o esquema como “usurpação do poder”. “Bolsonaro parece um bobo da corte. Ele não coordena o orçamento”, disse Lula. “(O orçamento secreto) não é moeda de troca, isso é usurpação de poder. Acabou o presidencialismo. Bolsonaro é refém do Congresso, ele sequer cuida do orçamento. Isso nunca aconteceu desde a proclamação da República”, disse. Para o petista, o orçamento secreto produziu um “semipresidencialismo” no País, no qual os recursos estão sob controle do Congresso Nacional.

No mesmo encontro na Rede Globo, o petista tinha declarado que, caso eleito, iria conversar com o Congresso Nacional com o objetivo de cessar o orçamento secreto.

Lula ainda teceu críticas ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e ao Congresso Nacional que aprovou e utiliza o orçamento. Em maio, ainda na pré-campanha, o petista chamou Lira de “imperador do Japão”, levando o presidente da Câmara a responder que poderia ser comparado a um imperador, “mas nunca a um ditador”. Depois, em agendas de campanha, Lula classificou o Congresso como o “pior da história” e ainda disse que iria “dar um jeito no Centrão”, grupo do presidente da Câmara.

Apoiadores do petista seguem a mesma opinião sobre o assunto. Para a presidente nacional do PT, a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), o orçamento secreto é “antidemocrático”. “Se o orçamento secreto já é um escândalo, torná-lo obrigatório é um crime ainda mais grave”, opinou este ano antes do início da campanha eleitoral.

Um dos momentos em que o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), se pronunciou sobre o orçamento secreto foi após a divulgação de cortes de verbas no programa Médicos pelo Brasil - o antigo Mais Médicos - e na área de saúde. Na época, o ex-governador de São Paulo classificou o esquema como “aviltante”, ou seja, aquilo que desonra ou humilha.

A senadora Simone Tebet (MDB-MS), que passou a integrar a equipe de Lula após perder o primeiro turno, já classificou o esquema como “piada”. A parlamentar votou contra o projeto de resolução que previa a legalização do modelo do orçamento secreto, no esforço do Congresso em se adequar à decisão do STF, em 2021.

“Não é possível um único relator ter como limite máximo todo o orçamento do Congresso Nacional. Quem detém a chave e o cofre do orçamento é o Executivo enquanto não tivermos mudando a lei e a Constituição”, disse ela, durante a sessão de debate sobre o projeto. O ESTADÃO

 

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