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Visionário: Expedito Parente aliava tecnologia ao cunho social

O biodiesel não tem nome escrito na bomba de postos de combustíveis do País. Mas, o componente está tão presente na vida dos brasileiros quanto o etanol ou a gasolina, ou até mais. E, na última década, a intensidade só cresceu.

De quando a primeira gota misturou-se ao diesel de forma obrigatória, em 2008, até os dias atuais, a composição cresceu de 2% a 11% de mistura, que valerá ainda em 2019. A previsão é seguir aos 15% até 2023, subindo um ponto por ano. Quanto à produção, ela acompanha o aumento da participação, exibindo alta acima dos 358%, comparando os acumulados de 2008 e 2018.

E nos primeiros três anos da implantação desse biocombustível ao diesel no Brasil, quem esteve presente na caminhada foi o próprio pai da criação: o engenheiro químico cearense Expedito José de Sá Parente, uma das personalidades do Estado que pensaram em formas diferentes de lidar com as dificuldades e obtiveram reconhecimento da sociedade.

Esta e outras iniciativas de resoluções inovadoras e criativas na hora de empreender serão apresentadas até o dia 30 pelo Sistema Verdes Mares. Neste período, a campanha Circuito de Empreendedorismo do Ceará levará para dentro de empresas cearenses, jovens e adultos que têm sede de conhecimentos do mundo dos negócios.

A trajetória de Expedito Parente foi longa desde o início da pesquisa, passando pelos primeiros testes até, de fato, o biodiesel na mistura para abastecer veículos na rua. "Trabalhávamos de forma muito próxima. Ele estava muito feliz, envaidecido, por estar sendo muito reconhecido", lembra Expedito Parente Júnior, engenheiro químico assim como o pai, sobre o lançamento.

Visionário em seu projeto, enxergava o biodiesel além de uma mistura de óleo vegetal e metanol. A ideia era utilizá-lo como ferramenta para maximizar funções sociais, ambientais e estratégicas.

"(Ele) sempre dizia que ele não era apenas um combustível, ele tinha missão social, de geração de emprego e renda, principalmente nas regiões mais pobres do País", relembra.

A razão disso está no desenvolvimento da agricultura familiar. De acordo com Expedito Júnior, atualmente são mais de 40 usinas produzindo e beneficiando mais de 100 mil famílias com essa modalidade de renda. "Ele estava um pouco frustrado, porque houve uma concentração na soja. Ele tinha uma expectativa de diversificação de matéria-prima. Mas era previsível. O desenvolvimento industrial ocorre em velocidade muito maior do que a agrícola, que depende de safra, de chuva".

Distribuição

Assim, o que imaginava de cada região contribuir com o seu tipo de cultura para aproveitar e desenvolver a agricultura local, como a mamona no Nordeste, não existiu. Segundo Expedito Júnior, dos mais de 5 milhões de metros cúbicos atuais de biodiesel, 70% são derivados da soja e, como mostram dados da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a concentração dessa plantação está no Sul (41,1%) e no Centro-Oeste (41,4%). O Nordeste tem apenas 7,03% do total, à frente apenas do Norte, com menos de 2% de participação.

As questões ambiental e estratégica, porém, vêm dando os resultados esperados por Expedito. Cada vez mais, chega-se ao ideal de 25% da mistura - margem calculada para eliminar toda a fuligem do diesel, que causa doenças pulmonares e atua como ferramenta para diminuir o combustível comprado no exterior. "O Brasil deixa de importar o equivalente a quase US$5 bilhões em diesel do exterior".

Raízes cearenses

Mesmo compartilhando o seu conhecimento com o mundo, como informações sobre o bioquerosene, outro biocombustível desenvolvido em seu currículo, Parente sempre manteve as suas raízes no Ceará.

Inclusive, foi no laboratório da Universidade Federal do Ceará (UFC) que começou a produzir a substância e a experimentar em motores. Lá, também contribuiu na formação de centenas de engenheiros. Não só estruturou e coordenou o curso de Engenharia Química em 1965, como disseminou seus conhecimentos em sala de aula.

"Ele sempre foi aquela pessoa que eu considerava mais do que um pesquisador, porque se preocupava em conseguir projetos que beneficiassem pessoas mais pobres, mais humildes", realça o engenheiro civil Ariosto Holanda, que esteve ao seu lado na fundação do curso. "As pesquisas que ele fez sempre tinham motivação muito forte com os principais desafios do Ceará. Isso parece hoje óbvio, mas na época - na década de 1970 e 1980 - isso também foi uma vanguarda", reforça o filho.

"A nossa amizade veio dos nossos avós e se consolidou a partir do biodiesel. Fomos os precursores do biodiesel", aponta Francisco Guimarães, seu sócio da Proerg. COM DIARIODONORDESTE

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