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As eleições presidenciais e o fim do ciclo petista

Com om título “As eleições presidenciais e o fim do ciclo petista”, eis artigo do sociólogo e professor universitário João Arruda. Ele comenta porquês da derrota do discurso do Partido dos Trabalhadores, reiterando a tese de que faltou ao partido a mea culpa cobrada, aliás, por Ciro Gomes, terceiro colocado no páreo presidencial. Confira:

A desconcertante derrota política-eleitoral sofrida no domingo passado pelo Partido dos Trabalhadores foi a insofismável resposta de indignação da sociedade brasileira aos descaminhos éticos e morais trilhados pela agremiação lulista nos últimos 15 anos.

Sobre todos os aspectos, tivemos uma eleição atípica. Ela foi, a um só tempo, uma eleição plebiscitária – antipetista – e antissistema, tendo sido eleito aquele que melhor encarnou o sentimento nacional de rejeição ao lulopetismo e ao establishment.

Esse sentimento de indignação, que teve a sua gênese no escândalo do mensalão, veio num crescente e teve a sua continuidade robustecida nas manifestações de rua em junho de 2013, quando milhões de brasileiros, em grande catarse coletiva, tomaram as ruas das grandes cidades, denunciando a corrupção e o sistema político carcomido.

Nesse momento, reforçado pelas graves denúncias do petrolão envolvendo os principais cardeais petistas e os partidos aliados que lhe davam sustentação política, o imaginário político brasileiro consolidou a convicção de que o PT era uma grande fraude e sem o menor escrúpulo, tendo, desde que chegou ao poder, relativizado os seus conceitos éticos e morais em nome da “governabilidade”. Com o excesso de acusações e prisões de figuras destacadas do Partido, veio a certeza de que o PT havia nivelado a política por baixo, institucionalizando a nossa corrupção endêmica como política de Estado e utilizado de todo o pragmatismo aético e toda forma de maquiavelismo para garantir o seu projeto de poder.

Recusando-se a fazer autocrítica dos seus erros, o PT optou por não ouvir os clamores da rua, preferindo o conforto da desqualificação dos seus acusadores. Messiânicos e agindo como uma seita religiosa, acreditaram estar protegidos pelo manto sagrado da infalibilidade papal. Enclausurado numa bolha de fantasias, retroalimentado por um ciclo vicioso de devaneios, os petistas perderam o senso de realidade e o respeito dos seus antigos eleitores.

Ao invés do reconhecimento público dos erros, a cúpula dirigente do Partido, em sintonia com os seus intelectuais orgânicos, optaram pela criação de narrativas inverossímeis. Insistiram em estimular os nós contra eles e desenvolveram mirabolantes teorias conspiratórias. No dia-a-dia com seus críticos e opositores, eles passaram a reagir com um conjunto de mantras vazios e desqualificados: fascistas, coxinhas, homofóbicos, misógenos, racistas etc. Enfim, com o sentimento messiânico de que eles foram os escolhidos, estabeleceram uma implacável guerra santa dos eleitos contra os ímpios reacionários.

Com essa postura de descaso ao sentimento médio dos brasileiros, os petistas foram às urnas. Com prepotência e desconhecendo as boas recomendações políticas de humildade, eles subestimaram a capacidade de indignação e o limite de tolerância da cidadania, e o PT saiu das urnas muito menor e bastante isolado.

Mesmo contando momentaneamente com a maior bancada na Câmara, a sua área de influência ficou circunscrita aos grotões nordestinos. E o mais significativo: o PT perdeu a legitimidade da hegemonia no campo da centro-esquerda. Ciro Gomes, representando o PDT, já se manifestou disposto a liderar uma futura oposição contra o governo Bolsonaro, longe do protagonismo petista. No Congresso, o PDT, o PCdoB e o PSB já discutem a formação de um bloco de oposição ao governo Bolsonaro, longe do hegemonismo delirante petista e sob a liderança nacional de Ciro Gomes.

Senhores petistas, tenham um mínimo de humildade. Não procurem adjetivos depreciativos para enquadrar os milhões de brasileiros que votaram em Bolsonaro, pois ele é um produto e criação dos erros, incompetências e vacilos éticos petistas. A sua eleição foi possível porque ele credenciou-se como antítese ao lulopetismo.

*João Arruda.

Sociólogo e professor da UFC. COM BLOG DO ELIOMAR

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