Cunha diz que paga por impeachment e ameaça colegas
Cunha diz que paga por impeachment e ameaça colegas
| Pedro Ladeira/Folhapress | ||
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| O deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ) fala no plenário nesta segunda (12) |
Momentos antes de ver seu destino político ser chancelado no plenário da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) fez um discurso forte nesta segunda (12) em que afirmou estar sofrendo um "processo político" por dar continuidade ao impeachment de Dilma Rousseff, negou ter contas na Suíça e ameaçou colegas: "Amanhã é contra vocês".
Em um discurso de defesa de pouco mais de trinta minutos, Cunha fez um apanhado da tramitação dos processos contra ele e a petista e disse que os deputados presentes no plenário não queriam ouvir "qualquer argumento", pois estavam "com a decisão tomada". Segundo Cunha, "ninguém conhece" uma peça que tem sete mil páginas.
Mesmo assim, pediu que seus colegas o julgassem "com isenção", pois ele estava "pagando o preço" por "livrar" o país do PT.
"Estou pagando o preço de ter meu mandato cassado por ter dado continuidade ao processo de impeachment. É o preço que estou pagando para o Brasil ficar livre do PT [...] Por mais que o PT chore, esse criminoso governo foi embora graças à atividade que foi feita por mim", disse Cunha.
"Alguém tem dúvida que se não fosse minha atuação teria impeachment? Duvido que tenha. Essa é a razão da bronca do PT e de seus assemelhados ou seus asseclas, que vivem na sua órbita", sustentou.
Para o ex-presidente da Câmara, seu mandato está sendo cassado por motivos "risíveis" e isso abrirá precedente para que "qualquer deputado" perca o mandato por acusações, segundo ele, frágeis. O peemedebista disse que, na média, 160 deputados respondem a acusações. "Amanhã será com vocês também", ameaçou.
"A peça de acusação do Ministério Público não pode servir como quebra de decoro", defendeu-se. "Quero saber cadê a conta, cadê o número da conta? Que conta é essa que você não consegue movimentá-la, que não consegue acessá-la?", completou.
O pedido de cassação de Cunha alega que o deputado hoje afastado mentiu à CPI da Petrobras ao dizer que não tinha contas no exterior. O Ministério Público, por sua vez, pediu abertura de inquérito contra Cunha por haver dinheiro dele em contas na Suíça irrigadas pelo esquema de desvio de recursos na estatal. FOLHA DE SP


