As relações de José Rainha e a deputada da CPI do MST que investiga o movimento
Por Roseann Kennedy e Augusto Tenório / o estadão de sp
A CPI do MST expôs nesta quinta-feira, 03, a proximidade do líder da Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) José Rainha com a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP), que integra o colegiado criado para investigar os movimentos sem-terra. Rainha fez campanha política para a parlamentar. Além disso, desde abril, Sâmia emprega em seu gabinete na Câmara dos Deputados a líder sem-terra Diolinda Alves de Souza, que já foi casada com Rainha, com quem teve dois filhos. Revelações que levantam questionamentos sobre a isenção de Sâmia para integrar a CPI.
As informações sobre os vínculos foram apresentadas na reunião pelo relator da CPI, deputado Ricardo Salles (PL-SP). A Coluna checou os dados e verificou que Diolinda tem cargo de secretária parlamentar na Câmara, com salário de R$3.780,68, além de auxílios de R$1.331,59.
Diolinda Alves de Sousa já chegou a ser presa, em 2003 condenada a dois anos e oito meses por formação de quadrilha. À época, o MST acusou o juiz que deu a sentença de “criminalizar” a organização.
CPI do MST alertou José Rainha sobre risco de prisão
As indagações sobre a relação de José Rainha e Sâmia Bomfim gerou um dos momentos tensos da reunião da CPI do MST nesta quinta. Inicialmente, Rainha desconversou quando foi perguntado sobre a campanha para a deputada, disse que tinha uma “relação fraterna e política” com ela, depois confrontado pelo relator Ricardo Salles, que apresentou vídeo na sequência, admitiu ter pedido votos.
“Eu vou refazer a perguntar para não fazer falso testemunho. Pode ficar calado, mas mentir não pode. Ou fica quieto ou fala a verdade. Você sabe quais são as consequências”, afirmou o relator, Ricardo Salles (PL-SP). No vídeo, em questão, o líder sem-terra agradece os votos na parlamentar.
Desde o início da CPI, Salles e Sâmia estão no centro dos embates da pauta da comissão. Os dois são de grupos políticos opostos. Sâmia, inclusive, já denunciou Salles no Conselho de Ética e na Corregedoria da Câmara, por prática de violência política de gênero, com uso de ameaças e intimidações. Eles negam
Sâmia é alvo de fala ‘machista’ e ‘gordofóbica’ durante a CPI do MST
Enquanto José Rainha era indagado por Ricardo Salles, a deputada Sâmia Bomfim fez algumas reclamações fora do microfone e terminou ouvindo a seguinte frase do presidente da CPI, deputado Tenente Coronel Zucco: “A senhora pode ficar mais calma. A senhora respeite... A senhora está nervosa, deputada? Quer um remédio? Ou quer um hambúrguer?”, perguntou.
Houve reação imediata das correligionárias de Sâmia, que acusaram o presidente de machismo e gordofobia.
“O senhor não tem vergonha, de envergonhar o parlamento brasileiro e atacar mulheres?”, questionou Talíria Petrone (PSOL-RJ). “Ih, já vitimizou”, ironizou o relator, Ricardo Salles (PL-SP). Em um raro momento da comissão, Zucco se retratou e pediu para as falas dele fossem retiradas das notas taquigráficas.

