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Lava Jato trata Lula como ‘chefe de quadrilha’

Há uma originalidade perversa na derrocada de Lula. É mais suicídio político do que execução. Toda a movimentação de Lula nos últimos meses foi autodestrutiva. Confrontado com indícios de favorecimento ilegal, Lula fez pose de vítima. Com um desembaraço autocrático, o ex-presidente produziu uma sequência de atentados contra sua própria reputação. Numa estratégia de redução de danos, Lula protagonizou uma coreografia de fuga. Recorreu até ao STF para retardar as investigações. Agiu como se não devesse nada a ninguém, muito menos explicações. Em vez de esclarecimentos, serviu mais da mesma velha tese da perseguição política.

Submetido à orientação dos seus advogados, Lula esticou sua desconversa à espera de novas delações. Era como se quisesse retardar sua versão, para ajustá-la aos fatos que emergiriam das traições. Simultaneamente, Lula humilhou a lógica ao detonar o ministro José Eduardo Cardozo por “não controlar a Polícia Federal”. E ofendeu o bom-senso ao estimular a mobilização da infantaria petista.

A autoconfiança de Lula tornou-se irrisória depois que a Polícia Federal bateu na porta de sua cobertura, em São Bernardo, na manhã desta sexta-feira. Munidos de ordem judicial expedida por Sérgio Moro, juiz da Lava Jato, os agentes federais submeteram o ex-presidente a uma rotina inimaginável até outro dia. Uma parte da equipe varejou-lhe o apartamento. Outra, conduziu-o coercitivamente para prestar o depoimento que o morubixaba do PT tentava retardar.

Realizaram-se batidas policiais também nas residências dos filhos de Lula e na sede do instituto que leva o seu nome. Antes, a força-tarefa da Lava Jato já havia quebrado os sigilos fiscal e bancário de Lula e Cia.. Como um suicida didático, o investigado parece ter deixado pistas primárias do seu relacionamento obscuro com as empreiteiras que assaltaram Petrobras. O sítio, o tríplex, os R$ 30 milhões em palestras e doações ao Instituto Lula, isso e aquilo.

Ao levar Lula à alça de mira, os investigadores da Lava Jato tentam obter resposta para a grande interrogação que sobreviveu ao escândalo do mensalão. Quem é o chefe da organização criminosa que tomou o Estado brasileiro de assalto? O mensalão apontou José Dirceu como mentor e chefe da máfia. Lula protegeu-se atrás do frágil biombo do “eu não sabia”.

O petrolão,  uma reincidência hipertrofiada do mensalão, oferece ao aparato de controle do Estado a oportunidade de subir um degrau na hierarquia do descalabro. Dessa vez, os investigadores resolveram homenagear a inteligência de Lula. Até um cego enxergaria o que se passou na Petrobras. Partindo dessa obviedade, a força-tarefa da Lava Jato colecionou indícios de crimes. E Lula foi informado de que as instituições brasileiras já não aceitam tratá-lo como um ser inimputável.

O Brasil está diante de um fato histórico. Onde o petismo vê perseguição política não há senão avanço institucional. No momento, Lula precisa de um lote de boas explicações, não de claques ou milícias de devotos.

Por tabela, a nova fase da Lava Jato alveja também Dilma Rousseff e seu governo, em estágio de franco derretimento. Fraca e sem credibilidade, a presidente perde seu protetor político. Lula ganhou outra prioridade: proteger a própria pele. Sua pupila nunca esteve tão só. A economia está em ruínas. Sua base congressual tem a consistência de um pote de gelatina. E ela não demonstra capacidade de reação. No papel, Dilma ainda dispõe de dois anos e nove meses de mandato. Vai precisar de um milagre para se segurar no cargo por tanto tempo. JOSIAS DE SOUZA

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