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O prefeito-catraca

Em quase 14 meses no cargo, o prefeito Marcelo Crivella deu seguidas provas de não ter a mínima ideia de como administrar a cidade. A responsabilidade parece lhe dar medo. O trabalho, causar paralisia.

O que ele sabe é fugir. Viajar em pleno Carnaval e inventar desculpas, como a de conhecer um modelo de drone da Agência Espacial Europeia, o qual supostamente seria usado na segurança. Ninguém engoliu a cascata, muito menos o Ministério Público do Rio, que investiga a farra das viagens com dinheiro público. Crivella já passou 36 dias no exterior.

Os hospitais estão sem médicos e sem medicamentos; não há vagas nas creches; faltam professores nas escolas; linhas de ônibus somem de circulação; o transporte dominado pelas vans ilegais; as calçadas invadidas pelos camelôs; os bueiros entupidos de lixo. Uma hora de chuva forte deixou quatro mortos, 2.000 desalojados e moradores sem luz durante mais de uma semana. O que fez o prefeito? Uma piada sem graça sobre a criação do programa “Balsa Família”.

Quando a população ia esquecendo o caos no Carnaval, Crivella e o presidente da Riotur, Marcelo Alves, insistem em mostrar seu despreparo para organizar a festa. Estudam a possibilidade de instalar, em 2019, catracas e detectores de metal no acesso aos blocos gigantes. Quem já vestiu uma fantasia de índio ou sapecou o corpo de glitter, para brincar no espaço aberto das avenidas, sabe que a medida é irrealizável. Mesmo que, em vez de catracas, se utilizem roletas, que é como o carioca chama o dispositivo.

A zona na prefeitura tem despertado uma estranha viuvez. Saudades do ex-prefeito Eduardo Paes, responsável pela construção da ciclovia Tim Maia, que não caiu apenas uma, mas duas vezes. Só que Paes, que sonha com sua candidatura a governador, continua inelegível por decisão do Tribunal Regional Eleitoral.

Alvaro Costa e Silva

Trabalha como jornalista desde 1988. Já foi repórter, redator, editor, colunista.

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