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Empresas buscam tarifa menor no mercado livre

ENERGIA

O aumento nas tarifas de energia tem feito com que mais empresas migrem para o chamado mercado livre, em que o valor pago é negociado e válido por um período previamente determinado, independentemente dos aumentos promovidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Dados da Câmara Comercializadora de Energia Elétrica (CCEE) mostram que 61 empresas migraram para o mercado livre em janeiro e outras 438 farão a mudança nos próximos meses.

Uma dessas companhias foi a Pistões Rocatti, de Araraquara (SP), que, em meio a um mercado já fraco, teve de arcar com o aumento das tarifas de energia no ano passado. O pedido de migração para o mercado livre foi feito no fim de dezembro e deve ser concluído em julho. A empresa espera ter redução nos gastos de energia entre 14% e 20%.

— A migração foi devido ao custo. Estamos vivendo a pior crise da nossa história, e o custo da energia subiu muito. Tínhamos que fazer alguma modificação — afirmou Carlos Caratti, diretor da empresa.

COMPARAÇÃO DE PREÇOS

Assim como as demais empresas, a Pistões Rocatti vai deixar de ser cliente de uma distribuidora de energia, no caso, a CPFL, para fazer parte desse mercado.

— Houve aumento significativo de tarifas para consumidores atrelados a distribuidoras. Quem tem condições de migrar, começou a checar as tarifas no mercado livre e viu que os preços estão decrescentes — disse Rui Altieri, presidente do Conselho de Administração da CCEE.

— As empresas buscam competitividade. As normas de medição estão mais simples, e o processo, menos burocrático. O custo da energia no mercado livre caiu — disse Reginaldo Medeiros, presidente da Associação Brasileira dos Comercializadores de Energia (Abraceel).

Em 2014, o preço no mercado livre chegou a R$ 822,23 o megawatt/hora (MWh). Isso ocorreu em razão da escassez de chuvas, que reduziu o volume dos reservatórios das usinas (e sua capacidade de gerar energia), e do atraso em projetos. De lá para cá, as chuvas voltaram, e a economia desacelerou, o que fez o preço cair a R$ 30,25 o MWh nas regiões Sul e Sudeste.

— Houve aumento da tarifa no mercado cativo. Isso fez com que a população e as empresas sofressem quando houve o ajuste tarifário. E, no mercado de curto prazo, o preço da energia caiu — explicou Fabio Cuberos, gerente da Safira Energia.

Cristopher Vlavianos, presidente da comercializadora de energia Comerc, explica que o preço da energia no curto prazo, de R$ 30,25, serve como referência. Contratos com prazo de três a cinco anos estão variando entre R$ 80 e R$ 100. Na região Sudeste, um consumidor com demanda em torno de 500 kilowatts tem conta ao redor de R$ 100 mil no mercado convencional. Segundo o executivo, a migração representa redução de preço em torno de 30%.

Clientes são grandes consumidores

O mercado de energia no Brasil está dividido em duas categorias: o ambiente de contratação regulada, no qual estão consumidores que são clientes de distribuidoras, e o ambiente de contratação livre, no qual o consumidor (geralmente grandes empresas) compra energia diretamente de geradores ou comercializadores.

A negociação no mercado livre é feita por meio de contratos bilaterais com condições negociadas, como preço, prazo e volume. Cada consumidor paga uma fatura referente ao serviço de distribuição para a concessionária local, além do preço negociado no contrato de compra de energia.

Só podem se tornar clientes no mercado livre empresas com consumo igual ou superior a 500 kw (equivalente ao de um shopping center). Elas podem comprar energia gerada por fontes renováveis, como hidrelétricas de pequeno porte, termelétricas a biomassa e eólicas. Empresas com consumo igual ou superior a 3.000 kw podem comprar energia de qualquer fonte, incluindo grandes hidrelétricas, usinas termelétricas e eólicas.

No ano passado, em razão da falta de chuvas, algumas distribuidoras e geradoras não conseguiram entregar o prometido a seus clientes e tiveram de recorrer ao mercado de curto prazo para comprar energia, quando os preços estavam em alta. Isso levou a tarifa no mercado livre a bater o recorde de R$ 822. Hoje, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), o preço de referência está em R$ 30,25/MWh para as regiões Sudeste e Centro-Oeste. Para o Nordeste, é de R$ 304,41. O GLOBO

 

 

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