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Lula manifesta incômodo com atuação do STF no caso Master

Por Fabio Graner e Sérgio Roxo — Brasília / O GLOBO

 

 

Além da irritação com o Tribunal de Contas da União (TCU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está incomodado também com a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso da liquidação do Banco Master, em especial com o ministro Dias Toffoli, que é relator do tema na Corte. Assim como em relação ao TCU, a percepção do presidente é que a atuação para colocar em xeque uma decisão de caráter técnico cria instabilidade e joga contra a imagem das instituições.

 

O GLOBO revelou que Lula está preocupado com as repercussões disso no mercado financeiro, onde há uma percepção vastamente majoritária de que a decisão do BC de liquidar a instituição de Daniel Vorcaro foi correta e muito bem embasada.

O presidente Lula se movimentou nos bastidores para entender melhor a situação e também para dar apoio a Gabriel Galípolo, o chefe da autoridade monetária que está diretamente atuando na defesa do processo de supervisão que culminou no encerramento das atividades do banco. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que está em férias, também deu apoio nos bastidores a Galípolo e fez movimentos para ajudar politicamente na proteção ao BC do cerco gerado pelas atuações do STF.

 

Do ponto de vista formal, porém, o governo não fez até o momento nenhuma ação. Há um entendimento de que o BC tem seu espaço de autonomia e uma procuradoria própria que o tem representado adequadamente tanto junto ao Judiciário como ao órgão de controle. Tampouco houve manifestações oficiais do governo sobre o assunto até o momento.

 

As principais entidades ligadas ao mercado financeiro se manifestaram em defesa da atuação do BC e reforçaram esse apoio no início da semana. O mesmo ocorreu com outras entidades, como a ANBCB, associação dos auditores da autarquia, e algumas frentes parlamentares, como a de Comércio e Serviços.

 

Do ponto de vista da opinião pública, a pressão inédita que esses setores do TCU e STF colocaram no BC também foi em geral mal recebida e começa a fazer efeito, a despeito de uma rede de notícias falsas em redes sociais tenha buscado atuar para criticar o BC, conforme revelado pela colunista Malu Gaspar.

 

Não à toa, a inspeção determinada pela Corte de Contas na autoridade monetária não deve ocorrer durante o recesso, confirmou o presidente do TCU, ministro VItal do Rêgo, embora isso ainda dependa de despacho do ministro Jhonatan de Jesus, ligado ao Centrão e a políticos próximos de Vorcaro.

 

Em meio ao noticiário sobre as fakenews contra o BC, um interlocutor disse ao GLOBO que a Polícia Federal está investigando o assunto. Procurada, a PF não comentou.

 

O presidente Luiz Inácio Lula da SilvaO presidente Luiz Inácio Lula da Silva — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo

 

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