Lula 3 retoma política de pessoal companheira
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Há duas maneiras básicas de conter ou reduzir os gastos com pessoal no governo brasileiro. A primeira é não substituir todos os profissionais que deixam o serviço público por aposentadoria, morte ou outros motivos; a segunda, limitar os reajustes salariais à reposição da inflação ou menos que isso. As administrações petistas rejeitam as duas alternativas.
Neste terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, concederam-se ao funcionalismo do Executivo reajustes de ao menos 9% em 2023, 2025 e 2026, fora acordos em separado com diferentes carreiras, o que supera com folga a inflação esperada no quadriênio.
Ademais, ampliou-se o quadro de pessoal. Como noticiou a Folha, o número de civis ativos do mesmo Poder passou de 565 mil, contados ao final do governo Jair Bolsonaro (PL), para 580 mil em novembro de 2025, dado oficial mais recente à disposição. Até o final deste ano, cerca de 7.000 novos contratados deverão se somar às estatísticas.
O resultado inescapável é aumento real da despesa. Considerando também Judiciário e Legislativo, militares e inativos, a folha de pagamentos da União saltou de R$ 391,4 bilhões em 2022 para R$ 402,7 bilhões nos 12 meses encerrados em novembro, segundo a série histórica do Tesouro Nacional corrigida pela inflação.
Para um governo que acumula déficits descomunais e precisa priorizar o combate à pobreza e a desigualdade, trata-se de escolha só explicável por ideologia estatista e afinidades corporativistas. Diversos estudos, afinal, mostram as vantagens salariais dos servidores federais ante o restante da população.
Para defender os reajustes, alegam-se defasagens em relação a períodos passados —é fato que houve congelamento sob Bolsonaro. Já a expansão da quantidade de funcionários nem mesmo se dá com alguma exposição clara das necessidades do Estado.
Fora os governos petistas, todos os demais, desde os anos 1990, procuraram enxugar o quadro de pessoal. É difícil crer que não haja margem para ao menos mantê-lo estável, com ganhos de produtividade e tecnologia.
Pior, Lula 3 rejeita até as tímidas propostas de reforma administrativa do Congresso Nacional, que evitam tocar na anômala estabilidade no emprego de que desfruta a grande maioria dos servidores da União. Esse era um luxo imprudente ao qual ele podia se dar na bonança de seus dois primeiros mandatos; agora, não mais.
Quando muito, o Executivo apresentou proposta para conter supersalários, mas pouco se moveu por sua aprovação. Medidas como racionalização de carreiras, redução de salários de ingresso e regulamentação de demissões por mau desempenho não saíram do papel.
O objetivo da reforma não deve ser promover desligamentos em massa, desnecessários, mas elevar a eficiência e a qualidade dos serviços prestados ao cidadão. Política de pessoal não é companheirismo sindicalista.

