Busque abaixo o que você precisa!

Insistência de Lula nos Correios é crise sem fim

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

 

Ao que parece, a operação de socorro aos Correios se tornou um descalabro até para os padrões perdulários da área econômica do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como noticiou a Folha, o pretendido empréstimo de R$ 20 bilhões foi suspenso nesta terça-feira (2) por resistência do Tesouro Nacional.

Pudera. Para atrair a participação do Banco do Brasil e de quatro instituições privadas, a administração petista deseja que o crédito tenha o aval do Tesouro. Em bom português, na hipótese muito provável de um calote dos Correios, que somente nos primeiros nove meses deste ano acumulou prejuízo de R$ 6,1 bilhões, o contribuinte brasileiro arcará com o pagamento da dívida.

Mesmo com a garantia, os bancos ainda cobram taxa próxima de escorchantes 136% do CDI, o que agora emperra o entendimento. Em tais condições, o governo Lula, que tanto bravateia contra rentistas quanto contribui para juros nas alturas, propiciaria um negócio de muito ganho e pouco ou nenhum risco para as instituições financeiras.

Há mais, entretanto. Noticia-se que o Planalto deverá reduzir a meta de resultado das estatais federais para acomodar o impacto do dinheiro a ser enterrado na estatal falimentar. Não há confirmação oficial até o momento, mas é inteiramente verossímil que esteja em preparação mais um erro na condução da crise da empresa.

A lógica por trás da ideia, afinal, é a mesma de muitas outras levadas a cabo pela gestão petista para evadir-se do imperativo de conter despesas orçamentárias —e que desmoralizaram o suposto arcabouço fiscal em menos de dois anos de vigência.

O empréstimo aos Correios se transformará em despesas e, portanto, mais déficit público. Em tais circunstâncias, o Executivo deveria compensar esse rombo adicional cortando seus gastos em igual proporção. Lula, contudo, não se anima a fazê-lo, muito menos no ano eleitoral de 2026.

Daí a saída aventada de simplesmente afrouxar a meta fiscal das estatais no próximo ano, que, aliás, nada tem de austera —déficit de R$ 6,75 bilhões, sem contar pagamento de juros nem R$ 5 bilhões em investimentos do PAC.

De sua parte, a governo federal embute no projeto de Orçamento para o próximo ano um déficit de mais de R$ 23,3 bilhões, que, graças a uma pletora de exceções e regras especiais, será tratado como superávit na contabilidade fantasiosa do Ministério da Fazenda. Isso, claro, se as projeções tiverem fundamento.

Na conta que não pode ser manipulada com invencionices, a dívida pública já saltou, neste terceiro governo Lula, de 71,7% para 78,6% do PIB, o equivalente a astronômicos R$ 9,9 trilhões.

Até o final do mandato, os Correios ajudarão a elevar essa cifra. É a consequência do erro original de, em nome do corporativismo estatista e do loteamento político, retirar a empresa do programa de privatizações e entregá-la a apetites do PT e do centrão..

Compartilhar Conteúdo

444