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EDITORIAL DA FOLHA DE SP

É inegável que o Brasil ampliou o acesso à educação nas últimas décadas. Mas tal avanço não se deu pari passu com a aprendizagem, como mostram avaliações domésticas e internacionais. E mais uma pesquisa, divulgada na última quinta (30), evidencia o problema.

O Índice de Inclusão Educacional (IIE), desenvolvido pela organização Metas Sociais a pedido do Instituto Natura, é um indicador que cruza dados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), do Censo Escolar e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad) para mensurar a distorção entre série e idade dos alunos em conjunto com o nível de aprendizagem.

O resultado é vexatório. Em 2023, só 15,5% dos jovens se formaram no ensino médio na idade correta (17 anos) ou com apenas 1 ano de atraso e demonstraram conhecimento mínimo desejável em português e matemática. Para piorar, a pandemia interrompeu uma trajetória de alta, e o país não conseguiu se recuperar.

O IIE, que é medido a cada dois anos, era de 9,5% em 2015, subiu a 13,5% em 2017 e atingiu 18,9% em 2019. Em 2021, caiu a 17%.

Há discrepâncias regionais. Dentre os 26 estados mais o Distrito Federal, 4 dos 5 piores colocados são do Norte: Amapá (5,6%), Amazonas e Roraima (6,6%, ao lado do Maranhão) e Pará (6,9%). Já do topo da lista, consta só um estado do Nordeste, o Ceará (18,1%), atrás de São Paulo (18,6%), Goiás (19%), Espírito Santo (19,5%) e Paraná (20,4%).

Baixos índices de aprendizagem estimulam a distorção série-idade com repetência que, por sua vez, leva à evasão escolar, o maior flagelo do ensino médio.

Ademais, esse enorme montante de jovens com educação precária enfrentará dificuldades para continuar sua formação acadêmica ou encontrar trabalho e alcançar boa remuneração. Trata-se, portanto, de um ciclo de mediocridade que limita talentos individuais e o desenvolvimento econômico do país.

Tal gargalo precisa ser atacado já no ensino fundamental, com aulas de reforço para alunos em defasagem. O modelo de ensino integral, que melhora indicadores, deve ser expandido nas duas etapa da educação básica.

A reforma do ensino médio, que ampliou a carga horária de disciplinas obrigatórias como português e matemática, além de adaptar o currículo aos interesses dos alunos inclusive com o ensino técnico, também tem potencial para minimizar a evasão e incrementar a aprendizagem.

Espera-se, assim, que a expansão de matrículas possa enfim redundar num ensino de qualidade.

 

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