Servidores do INSS temem receber 70% do bônus de outubro por falta de verba
Servidores do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) temem receber apenas 70% do bônus pago por análises extras de benefícios no PGB (Programa de Gerenciamento de Benefício), que é destinado a reduzir a fila do órgão e a fazer revisões para cortar benefícios pagos indevidamente.
Segundo a mensagem à qual a Folha teve acesso, o email enviado a participantes do programa traz o relatório do período e destaca que o pagamento será limitado a 70% do total devido para contemplar a verba disponível no orçamento. O valor residual, afirma a mensagem, será pago assim que a recomposição orçamentária for alcançada, sem prazo definido.
Os valores são referentes aos primeiros 15 dias de outubro, segundo informações do SINSSP-BR (Sindicato dos Trabalhadores do Seguro Social e Previdência Social no Estado de São Paulo), já que o programa de bônus foi suspenso por falta de dinheiro.
O INSS não respondeu até a publicação desta reportagem.
Segundo a reportagem apurou, os servidores tiveram a informação ao consultar o sistema interno de pagamentos de salários, no qual constaria apenas parte do valor devido. O temor dos funcionários é que a verba não seja paga e fique inscrita como dívida de exercício anterior, sem data para quitação.
Tiago Silva, presidente do SINSSP-BR, afirmou que vem tentando falar com o INSS desde o dia 15 de outubro, mas diz que o órgão não responde. Segundo ele, os servidores identificaram o pagamento de apenas 70% do valor do bônus de desempenho previsto para este mês.
Houve confronto com a chefia imediata por meio de emails, que também teriam confirmado o não pagamento.
Conforme a Folha revelou na última quarta-feira (24), o INSS afirmou que o corte e o congelamento de verbas do governo ameaçam travar serviços essenciais do órgão. Em documentos direcionados ao Ministério da Previdência Social, o instituto também disse que a falta de verba pode inviabilizar um contrato com os Correios, que faz o atendimento presencial a aposentados e pensionistas vítimas de descontos indevidos.
O órgão pediu ao Ministério da Previdência, em 14 de outubro, R$ 89,1 milhões extras para fazer pagamentos e dar continuidade ao programa.
A Previdência informou na ocasião que respondeu ao órgão, via ofício, dizendo querer uma análise detalhada, discriminando o que foi feito com o valor já repassado, de R$ 100 milhões, para pagar o bônus a servidores até dezembro deste ano. Também solicitou que o órgão faça a identificação das tarefas já executadas no âmbito do programa de bônus que estão sem cobertura orçamentária para concretização do pagamento.
A falta de verba pode afetar também o atendimento presencial nas agências da Previdência Social.

