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Uma nova correlação de forças - FABIO CAMPOS

A correlação de forças na política do Ceará está prestes a dar uma guinada. Em 11 dias, caso se confirme a tendência de afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) e a posse de Michel Temer (PMDB) no Palácio do Planalto, as forças que exercem o poder no Ceará e em Fortaleza por mais de uma década vão ser jogadas na oposição ao presidente da República plantonista.

Vamos a um histórico. Os oitos anos de Luizianne Lins à frente da Prefeitura de Fortaleza foram exercidos enquanto o PT, partido da prefeita, estava no comando da Presidência da República. Foram seis anos com Lula e dois com Dilma. Em 2012, Roberto Cláudio derrotou o PT na Capital, mas o novo prefeito também pertence a um grupo político que manteve o apoio ao petismo no âmbito federal.

No Governo estadual, as circunstâncias foram bem parecidas. Cid Gomes foi governador entre 2007 e 2014. Por oito anos, manteve-se como linha de apoio tanto a Lula quanto à presidente Dilma. Em 2015, assumiu Camilo Santana, um petista membro do grupo político de Cid, no mesmo momento em que Dilma iniciava seu segundo mandato.

No próximo dia 11, sendo Dilma afastada, o quadro muda. O dono da caneta passará a ser Michel Temer, que vem sendo duramente atacado tanto por Ciro quanto por Cid Gomes. Como o prefeito e o governador devem continência a esse comando político no Ceará, significa que os dois gestores estarão no campo da oposição a Temer.

Em sentido contrário, o senador Tasso Jereissati (PSDB), oposição ao PT nos dois mandatos parlamentares, passa a ser um aliado do novo plantonista no Palácio do Planalto. Mais ainda se os tucanos assumirem posições importantes na estrutura administrativa do “Governo Temer”. Naturalmente, Tasso passa a exercer mais influência na política do Ceará.

Já o senador Eunício Oliveira (PMDB) vai ficar onde sempre esteve: na posição de aliado no presidente ou da “presidenta” de plantão. Porém, agora, com uma diferença. Caso Temer assuma, será o PMDB no poder. Sem intermediários. Registre-se ainda que Eunício é membro da cúpula do partido e possui interlocução direta com o ainda vice-presidente.

Ou seja, caso as tendências se confirmem, a dinâmica da política jogará o grupo político dos Ferreira Gomes, o qual inclui o prefeito e o governador, na oposição ao comando do Governo Federal. Uma virada de jogo. Já Eunício e Tasso, os dois rivais políticos desse grupo, ficam politicamente mais vitaminados.

A postura extremada de Cid e Ciro Gomes em relação a Michel Temer e a todo o PMDB não é confortável para Camilo Santana (PT). Governador, principalmente de estado pobre, não faz oposição ao presidente. Não é do interesse de quem esta à frente do executivo estadual ser identificado como membro de um grupo que queima e destroça qualquer possibilidade de estabelecer qualquer tipo de diálogo e interlocução com o Governo central.

No caso de Camilo, o problema é duplo: o governador é do PT, que vai para a oposição radical ao “golpista” e “conspirador” Temer. Além disso, seu mandato foi bancado por Ciro e Cid, que usam o termo “ladrão” e “chefe de quadrilha” para caracterizar o vice-presidente. OPOVO

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