Amazônia-1, primeiro satélite '100% brasileiro', é lançado ao espaço

SÃO PAULO — O Amazônia-1, primeiro satélite "100% brasileiro", foi lançado ao espaço à 1h54 deste domingo (horário de Brasília) no Satish Dhawan Space Centre, em Sriharikota, na Índia. Com investimento estimado em cerca de R$ 400 milhões, o equipamento foi o primeiro projetado, integrado, testado e operado exclusivamente pelo país, e vai se juntar à família Cbers, os satélites de sensoriamento remoto feitos em parceria com a China.
O satélite integra a Missão Amazônia, criada para fornecer dados sobre sensoriamento remoto para monitorar o desmatamento dos biomas brasileiros, sobretudo a floresta amazônica. Com 6 quilômetros de fios e 14 mil conexões elétricas, o equipamento é capaz de observar uma faixa de aproximadamente 850 km, com 64 metros de resolução.
O Amazônia-1 tem quatro anos de vida útil. A Missão Amazônia prevê o lançamento de mais dois satélites, o Amazônia-1B e o Amazônia-2. Os dados serão enviados à base espacial de Alcântara (MA), Cuiabá (MT) e Cachoeira Paulista (SP) — na última, a partir de uma coordenação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), em São José dos Campos.
O lançamento do satélite foi acompanhado pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, em Sriharikota, na Índia. Pontes, que está no país asiático desde terça-feira, aproveitou a viagem para reunir-se com o Conselho Indiano de Pesquisa Médica, órgão estatal responsável pela estratégia de combate à Covid-19, e comandou negociações para compartilhamento de estratégias sobre prevenção, tratamento e vacinação contra a pandemia.
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Um satélite com tecnologia 100% nacional é um sonho antigo do governo federal. Começou a ser idealizado em 2009 pelo Inpe, com a esperança que o Brasil pudesse reduzir sua dependência de imagens de satélites estrangeiros já em 2011, data prevista de seu primeiro lançamento. Porém, seu desenvolvimento demorou mais do que o inicialmente previsto. O GLOBO

