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Um governo sem rumo - O ESTADO DE SP

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Para um governo que já enviou ao Congresso um Orçamento com previsão de déficit – uma das obras-primas do jeito petista de governar –, não causa nenhuma surpresa a declaração de Dilma Rousseff, feita recentemente a senadores da base aliada, segundo a qual não há mais espaço para corte de gastos. Trata-se de uma confissão de incompetência apenas natural numa administração já definitivamente marcada como uma das mais ineptas da história nacional. O Estado brasileiro sempre foi dependente da gastança desenfreada, mas na gestão petista esse vício passou a ser visto como uma virtude. Não foram poucas as ocasiões em que próceres petistas se vangloriaram de ter dado prioridade a programas sociais milionários quando o caixa estava baixo, simplesmente fazendo os cofres estatais verterem maná. Quem quer que, diante de tamanha imprudência, tenha ousado clamar por uma administração responsável do escasso erário foi desde logo qualificado como “inimigo do povo”, ou então como gente de pouca fé, para usar uma alegoria bem ao gosto da seita petista e de seu profeta, Luiz Inácio Lula da Silva.

Agora, no entanto, quando chegou a terrível conta dessa fantasia – conta que está sendo paga pelos brasileiros, mas especialmente pelos mais pobres –, a presidente petista deixa claro que não sabe o que fazer e, mesmo se soubesse, não teria capacidade de pôr em prática.

Quando diz que não há mais espaço para cortes, Dilma ofende a inteligência dos contribuintes que, esfolados por uma brutal carga tributária, são obrigados a controlar rigidamente seu orçamento doméstico – fazendo cortes muitas vezes dolorosos – para conseguir pagar por serviços que o esbanjador Estado administrado pelo PT não tem sido capaz de oferecer adequadamente, como educação, saúde e transporte. Enquanto isso, os frequentadores da corte palaciana – generosos doadores de campanha e empresários campeões nacionais – passaram anos a usufruir de inexplicáveis benefícios fiscais e de empréstimos em condições privilegiadas, que oneraram ainda mais esse mesmo Estado já capenga. Pois foi assim que o governo petista, ajudado pelos ladravazes do mensalão e do petrolão, conduziu o País ao descalabro.

Também faz parte do desastre o populismo travestido de “política social” implantado pelo PT. A indisposição histórica dos petistas de atacar de frente, por exemplo, o problema do crescente déficit da Previdência, com o argumento de que o modelo atual é uma “conquista da classe trabalhadora”, deixa até a presidente em maus lençóis. Enquanto ela se arrisca a sugerir – apenas isso – mudanças para impedir o colapso do sistema previdenciário, os petistas em geral, inclusive ministros de seu governo, anunciam publicamente que rejeitam qualquer coisa que, em sua visão, interfira com os “direitos” dos trabalhadores. Ou seja, tudo tende a ficar como está.

Desse modo, mesmo que Dilma fale sério quando postula reformas previdenciárias e trabalhistas, ela teria dificuldades de negociar essas mudanças em seu próprio partido. Não se espere que Dilma proponha essas e outras reformas para destravar a crise e recolocar o País no caminho do crescimento. Afinal, Dilma não é revolucionária, nem mesmo reformista. Ela é uma empedernida conservadora, conservada na salmoura dos anos 1950.

E nisso não está só. A despeito da propaganda que faz de si mesmo, Lula também jamais tratou a sério de nenhuma das reformas necessárias para que o País finalmente tivesse condições de crescer de maneira sustentável. O chefão petista sempre preferiu o caminho fácil da demagogia aos rigores do trabalho sério, honesto e inovador.

Assim, sem traquejo nem coragem para propor nada que esteja fora do catecismo de Lula, Dilma preferiu apelar à impostura ao dizer que não é possível cortar mais gastos e ao implorar apoio político para ressuscitar a CPMF. Seu despreparo é tamanho que mandou dizer, por intermédio do ministro José Eduardo Cardozo, que, sem o imposto do cheque, “nós não teremos outra forma de produzir recursos” para combater o mosquito que causa a zika. Aconselha-se o contribuinte a reforçar o estoque de repelente.

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