Ideia de Lula de faltar a debate é arriscada
Num debate com quatro candidatos, Lula será o principal alvo. Se as chances de cada um fossem semelhantes, tudo bem. Mas não. Lula e Flávio disputam uma eleição apertada, e os demais tornaram-se figurantes. Está na memória de todos a figura patética do Padre Kelmon em 2022. Só com quatro candidatos, esse risco fica reduzido, embora não eliminado.
Ir ao debate seria a melhor ideia. No caso de Lula, teria a vantagem adicional de espanar a ideia segundo a qual está cansado.
Com Flávio Bolsonaro, a situação se agrava. Ele é o pai, que, por sua vez, personifica pouco mais que um renitente sentimento antipetista. O Brasil é maior que essa mixaria, e os desafios estão aí.
A novela da corrupção na alta magistratura continuará sendo assunto nos próximos meses, e é bom que seja assim, mas o país de farofeiros deslumbrados está ofuscando outro país que anda.
Nele, constroem-se novas linhas de metrô em São Paulo, mais o túnel Santos-Guarujá. Na semana passada, zarpou do porto de Lüsi, na China, o maior bate-estacas marítimo do mundo. Ele vem para a obra da ponte que ligará Salvador à Ilha de Itaparica, com 12,4 quilômetros de extensão, um pouco menor que a Rio-Niterói.
Com obras desse tamanho, os charutos do procurador-geral Paulo Gonet são apenas fumaça, produzida por um burocrata deslumbrado, escoltado por um banqueiro espertalhão.
O Brasil é muito maior que a arena onde pontificam esses doutores. Por isso, é pena que a sucessão presidencial esteja num nível inédito de indigência. Parece até que a eleição presidencial é uma formalidade.
Temas abundam, mas falta disposição aos candidatos, sobretudo a Lula e Flávio, para debatê-los. Como não há debates, ideias nem propostas, Nossa Senhora Aparecida ocupou o espaço vazio.
Se algum político ou religioso quiser retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, terá uma surpresa: a fé popular manterá o título. A ideia de destronar Nossa Senhora é velha e inútil.
Os poderosos da ocasião tomam carona na história da santa que atrai milhões de peregrinos a cada ano. Mexer com devoções populares nunca deu certo. A hierarquia católica tentou enquadrar a devoção dos napolitanos por San Gennaro ou a dos nordestinos por Padre Cícero. Pura perda de tempo.

