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Ato de João Campos mostra estratégia da esquerda: exaltar Lula, mas ampliar alianças

Escrito por Inácio Aguiar / DIARIONORDESTE
 
 
O prefeito de Recife, João Campos (PSB), formalizou sua pré-candidatura ao Governo do Estado de Pernambuco e anunciou que irá renunciar ao cargo em uma das principais Capitais do Nordeste. O movimento de Campos demarcou um movimento da esqueda que se repete no Ceará: manter a proximidade com o presidente Lula, mas ampliar o arco tentando atrair forças de direita e centro-direita.  

A estratégia é, do ponto de vista discursivo, manter o perfil de esquerda, mas abrir caminhos para dialogar com correntes mais conservadoras, mesmo que estes grupos já tenham mantido ou mantenham diálogo com o bolsonarismo. 

João Campos anunciou como vice em sua chapa Carlos Costa, economista e irmão do ministro de Portos do governo Lula, Silvio Costa Filho. Ambos são filiados ao Republicanos, um partido de viés conservador, mas que integra o governo federal.  

 

Aqui no Ceará, Elmano tenta uma cartada semelhante. Mesmo sendo filiado ao PT e mantendo um arco de aliança de inclinação de centro-esqueda, o governador deu o start, nesta semana, em uma estratégia agresssiva para atrair a federação União Progressita, formada por União Brasil e Progressistas.  Os partidos de esquerda estão percebendo que, no Nordeste, embora haja uma hegemonia de Lula e da esquerda, o apoio do presidente, embora ainda determinante, não é suficiente para aglutinar forças e assegurar uma aliança forte.

 

Evento forte em Recife

O lançamento da pré-candidatura de Campos, no Recife, teve os elementos de campanha eleitoral, com um detalhe: a tentativa explícita de nacionalizar a disputa. Ao se apresentar como aliado direto de Lula, ele busca ocupar um espaço que, hoje, ainda não está formalmente definido, pois a governadora Raquel Lyra (PSD), adversária de Campos, tenta manter Lula longe da disputa em sua terra natal.  E é justamente aí que reside o primeiro ponto sensível da equação. 

 

Lula entre a lealdade e a cautela 

Apesar da sintonia exibida no discurso, o PT pernambucano ainda observa o cenário. O ruído em torno da presença de Marília Arraes (PDT) na chapa evidencia que há pontos a serem resolvidos.  Para Lula, a decisão não é trivial. Apoiar João Campos significa consolidar uma aliança estratégica com o PSB em um estado-chave, mas se distanciar da governadora pode não ser a melhor estratégia em um estado em que o presidente precisa fazer diferença de votos pensando no cenário nacional.  

 

Nordeste é laboratório de estratégia 

 

A pré-candidatura de João Campos não apenas inaugura uma disputa estadual, mas antecipa um teste importante para 2026.  As necessidades de Lula fazem o Nordeste voltar a ocupar o centro do tabuleiro político nacional e Pernambuco é um território a ser observado.

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