Busque abaixo o que você precisa!

Após perícia em 2018, PF recomendou centralizar no TSE totalização de votos das eleições

Por Márcio Falcão e Fernanda Vivas, TV Globo — Brasília

 

Polícia Federal afirmou em relatório concluído em 2018, após uma perícia no sistema eleitoral, que a centralização da totalização de votos das eleições no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) iria minimizar a exposição dos dados e teria potencial de melhorar “consideravelmente a segurança operacional” do sistema.

Até a eleição anterior, os boletins das urnas eram transmitidos para os computadores dos tribunais regionais eleitorais, que totalizavam os votos e enviavam o resultado para o TSE. Neste ano, o tribunal mudou o procedimento e centralizou a totalização dos votos em Brasília.

No (15), primeiro turno das eleições municipais de 2020, houve atraso na totalização dos votos e, consequentemente, na divulgação dos resultados. Segundo o TSE, um problema técnico provocou a lentidão.

Em entrevista na segunda (16), o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, informou que a centralização dos votos em Brasília foi uma recomendação da Polícia Federal, por razões de segurança. A mudança na apuração foi aprovada na gestão da ministra Rosa Weber na presidência do TSE.

Barroso disse que, segundo o serviço de tecnologia da informação do TSE, a origem do problema na totalização dos votos — que provocou demora de pelo menos duas horas na divulgação dos resultados da apuração — foi a demora da chegada de um supercomputador.

 

De acordo com ele, o serviço do supercomputador foi contratado em março, mas, em razão da pandemia de Covid-19, o equipamento só chegou em agosto, disse Barroso. A demora impediu que a equipe técnica do tribunal realizasse todos os testes necessários para que o software aprendesse a calcular os dados com a velocidade e volume necessários.

O presidente do TSE informou ainda que pediu à Polícia Federal a abertura de inquérito para apurar o ataque cibernético aos sistemas da Justiça Eleitoral neste domingo (15), dia do primeiro turno das eleições municipais.

Perícia

O relatório foi concluído pela PF em 2018 após uma perícia no sistema. A TV Globo teve acesso a trechos do documento. No texto, a PF afirma que a modificação no sistema era medida necessária para garantir maior segurança e tinha “potencial de continuar com um desempenho satisfatório”.

“Observa-se que mudar a arquitetura de servidores para estarem fisicamente localizados no próprio TSE melhora consideravelmente a segurança operacional deste sistema e tem o potencial de continuar com um desempenho satisfatório, em virtude dos crescentes avanços tecnologias de comunicação em rede”, diz o relatório.

Segundo a PF, “mesmo com o uso de melhores técnicas de codificação das rotinas armazenadas na base de dados, isso é mais um ponto de vulnerabilidade que pode ser explorada ainda mais em um ambiente com base de dados distribuídas em cada TRE”.

“Com a migração dos servidores web e banco de dados locais do TREs para o TSE esta exposição é minimizada, e , neste sentido as rotinas de manipulação da base de dados poderiam também ser todas migradas para aplicativo web, onde o servidor de aplicação conteria a inteligência da totalização, reduzindo a quantidade de equipes profissionais envolvidas e aumentando a segurança do controle de acesso ao código e às funcionalidades do processo de totalização”, diz o texto.

O TSE afirma que o atraso de mais de duas horas e meia na divulgação dos resultados foi provocada por uma falha em um dos processadores que precisou de reparo e ainda porque o sistema travou por falta de testes que não foram feitos porque os equipamentos demoraram a chegar no TSE por causa da pandemia.”

“O sistema de inteligência artificial do equipamento demorou a ser capaz de efetivamente aprender essa operação. E a demora que nós tivemos, um pouco mais de duras horas, foi o tempo que os técnicos levaram para diagnosticar o problema e remediá-lo", disse Barroso.

"Em nenhum momento a integridade do sistema esteve em risco. O que aconteceu foi um atraso na totalização, porque o sistema congestionou e travou por uma incapacidade da inteligência artificial detectar como a transmissão operava a velocidade e volume e, com isso, ela ficou lenta e depois travou”, completou o presidente do TSE.

 

 

 

Compartilhar Conteúdo