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Compartilhar escritório exige novos hábitos e flexibilidade

O mercado de coworking cresceu 114% em 2017 e 52% em 2016, sempre na comparação com os anos anteriores, de acordo com o Censo Coworking Brasil. Atualmente, no país, são 810 espaços —217 apenas na cidade de São Paulo, também segundo o levantamento.

Boa opção para autônomos e pequenas e médias empresas, o escritório compartilhado atraiu a atenção do paulistano Keiji Sakai, 51, quando ainda era diretor de tecnologia da B3 (antiga BMFBovespa) e procurava um lugar onde pudesse empreender.

Alberto Rocha/Folhapress
O empresário Felipe Moslavacz, 24, no café onde costuma trabalhar, em São Paulo
O empresário Felipe Moslavacz, 24, no café onde costuma trabalhar, em São Paulo

Sakai achou um escritório "convencional" de nove metros quadrados em um prédio perto do metrô Chácara Klabin (zona sul da capital).

Reforma, instalação e decoração do imóvel custariam R$ 75 mil, além do aluguel, de R$ 1.800. Os valores altos levaram Sakai a pesquisar opções de coworking.

Ele escolheu um escritório fechado de nove metros quadrados na Regus, empresa internacional presente em 120 países. Sakai paga R$ 3.150 pelo pacote que inclui a sala e mais serviços coletivos.

PACOTES

Folha passou três dias em três escritórios compartilhados para entender a experiência de Sakai. Há desde espaços com salas amplas sem divisões até opções de escritórios fechados.

Os coworkings contam também com cafés, refeitórios, espaços de descompressão (geralmente em terraços), salas de reunião e auditórios.

Apesar de oferecerem o mesmo produto, os espaços têm diferentes pacotes de serviços e de ambiente.

Os executivos, em geral, preferem os de estilo mais clássico, com decoração sóbria, que se parecem com centros empresariais, como os oferecidos por Regus, Vip Office e Global Hub.

Alberto Rocha/Folhapress
Adriana Souza, 51, sócia de agência de marketing, na sede da empresa, em São Paulo
Adriana Souza, 51, sócia de agência de marketing, na sede da empresa, em São Paulo

"São ambientes mais formais", diz Adriana Souza, 51, sócia da agência de marketing Benjamin Comunicação.

A empresária teve uma experiência de seis meses em um coworking desse tipo. Na época, Souza contratou um pacote de serviços que incluía um escritório fechado para nove pessoas.

"Como trabalhei a vida toda em uma empresa familiar, onde todo o mundo se conhecia, o início foi um choque", diz. "Nos corredores, todo dia circulava uma cara nova. Isso me incomodava."

Ao longo do semestre, a empresa cresceu, e Souza teve de pedir à gestora do coworking para dobrar o tamanho das instalações de um dia para o outro.

"A flexibilidade de ter o espaço na medida do que você precisa, maior ou menor, é o ponto alto", afirma. Ao longo do tempo, porém, a conta ficou alta, e a empresa arrumou uma sede própria.

ADAPTAÇÃO

"Antes de existirem os coworkings, eu já trabalhava remotamente", conta Adalberto Araújo, 62, sócio da consultoria de TI Six Partners.

"Como executivo de multinacional, eu viajava muito e sempre trabalhei em business center de hotéis", diz.

Hoje, Araújo tem uma mesa fixa no coworking LinkU2, na avenida Paulista (região central de São Paulo).

Ele adora o ambiente descontraído do espaço, conferido principalmente pelos jovens trajando tênis e camiseta da empresa de bitcoin que fica a poucos metros da mesa dele. "Gosto do networking que o espaço possibilita."

Araújo carrega apenas o computador e um kit de adaptadores de tomada, diferentemente de sua colega de mesa, Sandra Alves, 44, da Conexão Travel, que ainda não se desapegou dos pertences do antigo escritório.

Ela carrega até um porta-lápis. "Só falta trazer um porta-retratos da família", brinca Araújo. Alves concorda que ainda não largou hábitos do passado. "Mas estou indo bem", afirma.

Alberto Rocha/Folhapress
O consultor Adalberto Araújo, 62, em coworking na avenida Paulista, em São Paulo
O consultor Adalberto Araújo, 62, em coworking na avenida Paulista, em São Paulo

BAIXO CUSTO

Empreendedores e profissionais mais jovens costumam preferir espaços gratuitos para trabalhar. E não precisa nem ser um coworking formal.

Muitas vezes, basta um espaço com mesas, cadeiras e uma rede de wi-fi. Cafés e centros culturais se encaixam nesse perfil.

"Eu trabalho em casa, mas gosto de alternar o local de trabalho", afirma Felipe Moslavacz, 24, proprietário da Agência Motor, de marketing digital.

"Muitas vezes vou para um café da rede Starbucks, que é prático e tem até ar-condicionado."

Moslavacz não é o único. As unidades da rede ficavam tão cheias de clientes mergulhados em seus computadores que a empresa passou a restringir o número de horas de uso da internet às comandas de consumo.

Um dos espaços mais disputados pelo público em São Paulo é o Campus do Google, inaugurado há pouco mais de um ano, no bairro do Paraíso, na zona sul de São Paulo.

Trata-se do primeiro espaço da empresa na América Latina destinado a abrigar empreendedores e profissionais liberais interessados em ampliar a rede de contatos. Os dois últimos andares do prédio ficam abertos ao público.

O campus tem mesa de sinuca, pufes e bebedouros. O uso do espaço é gratuito, paga-se apenas o que for consumido no café do local. Mas o lugar tem o mesmo "problema" da rede Starbucks.

"Eu deixei de frequentar o Google porque ficou muito lotado", diz Moslavacz.

Hoje, quem chega depois das 11 horas da manhã dificilmente encontra um lugar para se instalar. E, quando acha, nem sempre é confortável.

Outro problema é ter de carregar o computador sempre que surge a necessidade de sair do lugar, seja para comer ou esticar as pernas.

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