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Análise: O Brasil e os sinais para o Brasil

RIO - A corrupção ceifou da política nomes graúdos, levou à cadeia empresários poderosos e sacudiu a República desde o início da Lava-Jato, há três anos. Mas, por óbvio, ela não nasce nem cria raízes apenas nas esferas mais altas do poder. Casos como o dos prefeitos de três cidades baianas, afastados nesta terça-feira por fraude em licitação no estado, atestam sinais da endemia.

 

A chamada "ciranda da propina" identificada pela Polícia Federal em Porto Seguro, Eunápolis e Santa Cruz Cabrália é um nome quase lúdico para um achincalhe ainda não mensurado no país: os desvios praticados nas prefeituras Brasil afora.

 

Claudia Oliveira, de Porto Seguro, ainda candidata, chegou a escancarar sua sede pelo pior da política em vídeo divulgado pelo GLOBO. "Farei emendas para uma ponte que vai beneficiar toda a comunidade. Uma ponte onde serão investidos dois bilhões. Um bilhão eu fico". Ela avisou. Foi eleita com 36,55% dos votos.

A política como ela tem sido será submetida novamente ao escrutínio dos eleitores em pouco mais de um ano. Em três, serão as cidades que terão novamente a oportunidade de avaliar seus gestores. O Brasil anda avisando ao Brasil que os tempos poderão ser outros: a corrupção precisa deixar de ser vista como cultural. É crime. E, nas mãos do eleitor, está um punição exemplar para o mau político. O não das urnas.

(*Maiá Menezes é editora adjunta de País) O GLOBO




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