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ÁGUA DE CARTÃO POSTAL

Campina Grande cresceu. Já cantou o conterrâneo Jackson do Pandeiro: "Alô, alô, minha Campina Grande/Quem te viu e quem te vê/ Não te conhece mais...". Antes de torres comerciais de até 40 andares, avenidas largas e congestionamentos, foi o pequeno Açude Velho, de 440 m³, que segurou o abastecimento. Por 120 anos, entre 1830 e 1950. Virou cartão postal no Centro da cidade. Todo dia, a limpeza de lixo e plantas no espelho d’água é feita por Roçado e o filho Roçadinho - Antônio Alves, 52, e o filho Edigley Alves, 27. A água é usada para regar praças. À margem está o Museu de Arte Popular da Paraíba, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. OPOVO

 

HORA DE TIRAR O ATRASO

Barreiras que já esburacavam o solo e desenham o fundo do canal estão destruídas. São grandes erosões na extensão da parede. A chuva desfez tudo. Criou poças de água suja, de pouca serventia. A lama também escorreu e formou entulhos. As marcações anteriores, das medições executadas pela construtora Mendes Júnior, precisarão ser refeitas. Muito retrabalho pela frente.

A antiga empreiteira largou o serviço após ser denunciada judicialmente, dentro das investigações da Operação Lava Jato. Foi considerada inidônea. E a obra abandonada - junho/2016 a julho/2017. O matagal enraiza e também ajuda a desmanchar. Diante do que se vê ao redor, será preciso correr para tirar tanto atraso e cumprir o cronograma. Ainda é assim que está um trecho significativo do caminho da transposição entre Salgueiro (PE) e Penaforte (CE), já chegando a Jati (CE).

No momento, é o cenário mais atrasado do projeto. Está dentro da chamada Meta 1N, a primeira etapa de obras do Eixo Norte - tem 140 km e sai de Cabrobó (PE), passa por Terranova (PE), Salgueiro, Verdejante (PE), até Penaforte. Segundo o Ministério da Integração Nacional, a execução deste trecho chegou a 92,47%. É o ponto em que o rio São Francisco alcançará o Ceará. Ou por onde deveria estar escoando. Pelo menos desde julho último os serviços começaram a ser retomados.

A desolação já dá lugar a uma rotina renovada. Nova montagem de canteiros, convocação de mão de obra, ajuntamento de material, máquinas voltando a circular nas estradas de terra batida. Apontar o que precisarão reconstruir. Poeiral outra vez subindo ao lado dos roçados. O barulho de caçambas está de volta.

O consórcio Emsa-Siton foi o vencedor da licitação aberta pelo Governo Federal para concluir as pendências deixadas pela Mendes Júnior. “O valor da proposta renegociada pelo Ministério da Integração Nacional com o consórcio para a execução das obras foi de R$ 516.873.208,24”, informou o site da pasta, no início de abril, quando confirmaram o desfecho da concorrência.

Venceu o Emsa-Siton, apesar de outros dois consórcios terem apresentado preços até R$ 76 milhões menores na disputa. Foram desclassificados por critérios técnicos. Houve questionamento jurídico das empresas, por isso os serviços da transposição só puderam ser reiniciados no mês passado.

Mão de Obra Local

E outros imbróglios vão surgindo. No último dia 21 de agosto, um grupo de trabalhadores desempregados de Penaforte realizou protestos em um trecho da obra, na comunidade Areias. Eles reclamaram que a mão de obra local não está sendo aproveitada nas recontratações da transposição.

“Muita gente de fora está vindo para nossa cidade e conseguindo emprego facilmente. Penaforte tem muita gente qualificada para essas vagas”, afirma Carlinhos Miné, 44, que é motorista e um dos representantes do movimento. Os manifestantes chegaram a impedir o tráfego de tratores e caminhões.

A grita foi apaziguada quando um gerente da Emsa recebeu o grupo. Ficou acertado que o consórcio iniciará novas admissões a partir de setembro. Priorizando os que morem por perto. Uma legislação municipal, aprovada em junho na Câmara de Vereadores e que aguarda sanção do prefeito Francisco Agabio, reivindica que pelo menos 70% dos contratados para as obras sejam locais.

Carlinhos Miné, que deu a sugestão do projeto de lei, conta que trabalhou à época da Mendes Júnior e que já naquele tempo os de fora tiveram preferência. “Nossa cidade é pequena, mas se vê a diferença com a retomada das obras. É bom para a economia local, tem que ser bom para a população”, diz. O Ministério informa que ainda há cerca de dois mil trabalhadores atuando nos dois Eixos.

Finalizada a Meta 1N, será por esse mesmo trecho que começará a descer o socorro hídrico para Fortaleza. O rio fará uma curva em Jati para encher o Cinturão das Águas do Ceará e rumar para a Capital. Nas declarações do secretário estadual dos Recursos Hídricos, Francisco Teixeira, a Região Metropolitana de Fortaleza poderá colapsar até o primeiro semestre de 2018, se isso não acontecer. Uma recarga da chuva pode estender a reserva um pouco mais. O projeto da transposição está se prometendo, no apalavrado do Governo Federal, até o início de 2018. O tempo agora é de tirar o atraso. Ou São Francisco continuará na demora de chegar. OPOVO

 

 

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