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As condições em que Tasso fica no comando tucano

Da Coluna Política, no O POVO deste sábado (5), pelo jornalista Érico Firmo:

Foi cheia de meandros a decisão do PSDB de manter Tasso Jereissati (PSDB) na presidência interina do partido. O senador cearense entrou quando Aécio Neves, titular da função, foi afastado pela Justiça depois de flagrado em gravações de teor muito suspeito, para dizer o mínimo.

Aécio reassumiu o mandato de senador, mas não retornou ao comando do partido. Tasso, não é de hoje, defende o distanciamento em relação ao governo Temer. Na presidência interina, deu peso à ala do partido favorável a essa posição. Ocorre que Aécio, nos últimos dias, articulou intensamente no sentido oposto. Foi quando Tasso disse que iria devolver o cargo ao mineiro.

“Ele estava afastado das funções políticas, agora ele recuperou a plenitude de suas funções políticas. Não tem razão para interinidade”, disse Tasso. Uma óbvia queixa: se está no cargo, ainda que em caráter interino, o cearense preside o partido. Se Aécio quer ditar os rumos, que retome a função que é sua, é o que Tasso deixa entreler. E tem razão. Por mais que não se goste do tucano, ele nunca teve vocação para posições decorativas.

Porém, Aécio não tem condições de presidir partido nenhum, que dirá um que pretende eleger presidente da República daqui a um ano. Seria a desmoralização definitiva reassumir a presidência do partido alguém tão enrolado com a Justiça como está Aécio.

Assim, a decisão de manter Tasso, obviamente, passa por algum nível de pacto acerca dos espaços de cada um, da atuação e da autoridade do presidente, mesmo na interinidade. Capítulo ainda do enredo do partido indeciso entre ficar ou sair do governo, e que se desgastou mais que qualquer outro na votação que barrou a investigação contra Temer. Reflexo justamente dessa disputa.

Tasso é quase uma voz dissonante dentro da alta cúpula do PSDB. Dos principais caciques, dois não estão enrolados em denúncias: o prefeito paulistano João Dória e Tasso. Os demais estão todos complicados: Aécio nem se fala, mas também José Serra e Geraldo Alckmin. Sobre Fernando Henrique Cardoso, faz um mês que foi arquivada investigação baseada no acordo de delação de Emílio Odebrecht. Não necessariamente por o ex-presidente ser inocente, mas porque o juiz entendeu que o crime já estaria prescrito. Assim, enquanto a maioria do tucanato está mais preocupada em se livrar das acusações, Tasso pressiona em relação ao distanciamento das práticas que levaram a isso.

“Erramos muito. O partido nasceu de um movimento de pessoas que saíram do PMDB por oposição a uma política quercista que era muito parecida com a de hoje. (…) Todos esses princípios que levaram à fundação do partido, há 30 anos, foram sendo abandonados. Nos misturamos com essa política do fisiologismo que gera corrupção. Entramos nesse jogo. Hoje temos que reconhecer isso e voltar a ser uma alternativa para o País”, disse em entrevista à jornalista Míriam Leitão, na Globonews.

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