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Frota supera 3 milhões e gera impacto em saúde e meio ambiente

Ceará chegou ao segundo semestre deste ano com frota de três milhões de veículos registrados no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-CE). Foi a primeira vez que o Estado atingiu essa marca. Proporcionalmente, há um veículo para cada três cearenses. Em dez anos, o número de carros, motocicletas, ônibus e caminhões circulando mais que dobrou. Aumento é motivo de preocupação e gera impactos para mobilidade, urbanismo, saúde e meio ambiente.

Como apontou o diretor de Trânsito do Detran-CE, Júlio Cavalcante, os problemas ficam mais visíveis na Capital. É em Fortaleza que estão 1,076 milhão de veículos. Composta principalmente por automóveis, a frota da Capital tem ainda 279,5 mil motocicletas. O cenário se inverte nos outros 183 municípios cearenses. Juntas, as cidades somam 1,925 milhão de veículos, sendo 1,018 milhão de motocicletas distribuídas pelo Interior e Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

De acordo com Cavalcante, a maior preocupação é com o “inchaço” do número de veículos somado a práticas que colocam vidas em risco. “É alcoolemia agregada a excesso de velocidade, falta de equipamentos de segurança, tudo vai contribuindo”. Pedestres, ciclistas e motociclistas são as maiores vítimas. Em Fortaleza, no ano passado, das 278 pessoas que perderam a vida em acidentes, 241 pertenciam a alguma dessas categorias.

Um em cada três leitos do Instituto Doutor José Frota (IJF) é ocupado nos fins de semana por vítimas de acidentes de trânsito. Para a Organização Mundial da Saúde, os acidentes são uma epidemia de “saúde pública”. Na Capital, em 2015, foram mais de R$ 500 milhões destinados a reparar danos causados por acidentes de trânsito.

Coordenador da Bloomberg, Dante Rosado considera “insustentável” uma cidade que prioriza o transporte particular. Contudo, ele ponderou que além de promover políticas que privilegiam o transporte coletivo, os gestores públicos podem adotar medidas para aumentar a segurança viária.

Em Fortaleza, apesar do número de mortes ainda preocupar, as 278 vítimas do ano passado representam redução em relação a anos anteriores — em 2015 foram 315 mortes, já em 2014 foram 377.

Segundo Arcelino Lima, superintendente da Autarquia Municipal do Trânsito (AMC), a Prefeitura atua em várias frentes para melhorar a mobilidade.

Além do Plano Fortaleza 2040, que prevê reduzir as viagens, aproximando nos mesmos bairros trabalho e lazer, há, paralelamente, ações para priorizar o transporte coletivo e a malha cicloviária. “Existe o desafio de convencer a população a usar esses meios, mas há também o desafio da melhoria (desses modais). Não podemos considerar que estamos num limite confortável, ainda temos muito o que fazer”, reconheceu Arcelino.

Segundo ele, a intenção é duplicar a malha cicloviária e a quantidade de faixas de ônibus para tirar a população dos carros e colocar em meios coletivos ou sustentáveis de deslocamento.

O POVO procurou a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), mas o representante da entidade no Estado não foi encontrado para dar entrevista. A diretoria do IJF também foi procurada, mas não havia disponibilidade para entrevistas. 

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